Tarcísio, Flávio e os limites da autonomia bolsonarista |
A decisão de Tarcísio de Freitas de sair publicamente em defesa de Flávio Bolsonaro em seu rolo com Daniel Vorcaro para produção do Dark Horse, filme sobre a vida de Jair Bolsonaro, talvez tenha um peso político muito maior do que aparenta. Não se trata apenas de solidariedade entre aliados. Trata-se de um movimento que expõe as contradições centrais do próprio projeto político de Tarcísio dentro da direita brasileira.
Durante boa parte de seu governo em São Paulo, Tarcísio tentou cultivar uma imagem relativamente distinta da família Bolsonaro: menos ideológica, mais técnica, mais previsível e mais aceitável para setores do empresariado, da Faria Lima e até de parcelas do centro político. Essa construção nunca ocorreu por acaso. Desde a derrota de Jair Bolsonaro em 2022 e sua crescente fragilidade jurídica e política, parte da direita econômica passou a procurar um nome capaz de preservar o campo conservador sem carregar integralmente o desgaste do bolsonarismo mais radical.
Foi nesse contexto que Tarcísio passou a ser visto como possível alternativa presidencial para 2026.
Mas existe um problema estrutural nessa leitura: a própria ascensão política de Tarcísio é inseparável do bolsonarismo. Sem Bolsonaro, dificilmente teria chegado ao governo de São Paulo. Sua trajetória nacional não nasceu de uma liderança política autônoma construída ao longo de décadas, mas da condição de quadro técnico transformado em candidato pelo próprio bolsonarismo. Sua força eleitoral nunca esteve baseada numa identidade independente, mas justamente na transferência direta de........