O eixo do mundo está mudando
A recente derrota do Partido Trabalhista no Reino Unido não foi apenas mais um episódio da crise política europeia. Ela é parte de um fenômeno muito maior: o desgaste gradual das estruturas econômicas, sociais e institucionais que sustentaram o poder do Ocidente desde o pós-guerra.
Durante décadas, a Europa Ocidental construiu estabilidade política sobre uma combinação relativamente bem-sucedida de crescimento econômico, industrialização, ampliação do Estado de bem-estar social e integração regional. O pacto social europeu do pós-guerra produziu algo raro na história do capitalismo: crescimento com relativa proteção social e redução importante das desigualdades.
Esse modelo, porém, começou lentamente a se desgastar.
A globalização financeira deslocou cadeias industriais para outras regiões do mundo, especialmente a Ásia. A financeirização fortaleceu o setor bancário e os mercados financeiros, mas reduziu a centralidade da economia produtiva. O trabalho industrial perdeu peso político e social. Ao mesmo tempo, o envelhecimento populacional, a desaceleração econômica e a crise fiscal permanente passaram a pressionar os sistemas de proteção social europeus.
A crise de 2008 acelerou brutalmente esse processo.
Desde então, grande parte da Europa vive sob crescimento baixo, austeridade recorrente, precarização do trabalho e crescente fragmentação política. O eleitorado passou gradualmente a desconfiar de partidos tradicionais que parecem incapazes de oferecer respostas concretas à deterioração econômica e social.
É nesse ambiente que se expande a extrema direita europeia.
Na França, forças nacionalistas ampliam presença eleitoral há anos. Na Alemanha, a AfD cresce justamente em regiões........
