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Entre o crédito caro e a vida cara: o que está em jogo em 2026

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25.03.2026

Há algo de aparentemente paradoxal no Brasil que se aproxima das eleições presidenciais de 2026. Os indicadores macroeconômicos não sugerem uma crise clássica: o desemprego caiu, a inflação perdeu intensidade em relação aos picos recentes e o crescimento, ainda que modesto, se mantém positivo. E, no entanto, o humor social não acompanha essa melhora.

Essa dissociação entre números e percepção não é um detalhe — é, na verdade, o ponto central da disputa política que se desenha.

A economia pode estar melhorando nos relatórios. Mas, para milhões de brasileiros, a vida continua difícil. E é nesse descompasso que se definem eleições.

Três elementos, em particular, ajudam a explicar esse fenômeno: o nível elevado dos juros, o grau de endividamento das famílias e o custo dos transportes. Não são variáveis abstratas. São experiências cotidianas.

Comecemos pelo endividamento.

Dados recentes indicam que o comprometimento da renda das famílias com dívidas gira em torno de 30%. Esse número, por si só, já diz muito. Não se trata apenas de quantas famílias estão endividadas — que são muitas —, mas de quanto da renda mensal está sendo drenado para o sistema financeiro.

É uma transferência silenciosa e contínua.

O salário entra, mas não permanece. Ele é rapidamente absorvido por parcelas, juros do cartão, crédito consignado, financiamento. O consumo se mantém, mas comprimido. A sensação de sufocamento financeiro se instala mesmo entre........

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