Depois da Venezuela, Cuba: a lógica perigosa do dominó imperial |
O que se ouviu de Washington nos últimos dias não foi apenas retórica inflamada. Foi doutrina. Ao afirmar que Cuba estaria “pronta para cair” logo após a captura de Nicolás Maduro, Donald Trump explicitou, sem rodeios, uma lógica antiga e sempre devastadora: a de que a América Latina e o Caribe podem ser reorganizados por efeito dominó, conforme os interesses estratégicos dos Estados Unidos.
Essa lógica não nasce agora. Ela atravessa décadas, e é justamente por isso que o momento atual inspira tanta preocupação.
Onde tudo começou: petróleo, revolução e sobrevivência - A parceria entre Venezuela e Cuba se consolida no final dos anos 1990, com a chegada de Hugo Chávez ao poder. Para Havana, ainda traumatizada pelo “Período Especial” que se seguiu ao colapso da União Soviética, o petróleo venezuelano era condição material de sobrevivência econômica e social. Para Caracas, Cuba oferecia quadros técnicos, médicos, assessoria política e cooperação em áreas sensíveis do Estado.
Esse arranjo, frequentemente caricaturado por Washington como conspiração ideológica, foi na prática uma tentativa de construir autonomia regional fora da órbita norte-americana — algo que os Estados Unidos jamais toleraram plenamente desde a Revolução Cubana de Fidel Castro. A Revolução Cubana ocorreu entre 1953 e 1959, culminando em 1º de janeiro de 1959, quando o ditador Fulgencio Batista fugiu do país e as forças revolucionárias lideradas por Fidel Castro tomaram o poder em Havana.
Desde então, sanções, bloqueios, isolamento financeiro e diplomático passaram a operar não como exceção, mas como instrumentos permanentes da política externa norte-americana.
A Cuba de hoje: crise, transição e cerco - É nesse contexto que governa Miguel Díaz-Canel, o primeiro........