Davos em ruínas morais |
O próximo encontro do Fórum Econômico Mundial acontecerá em Davos-Klosters, na Suíça, de 19 a 23 de janeiro de 2026. Será a 56ª reunião anual do Fórum, cujo tema oficial é "A Spirit of Dialogue" (Um Espírito de Diálogo).
A reunião ocorre em um momento histórico particularmente adverso. Não se trata apenas de mais uma edição realizada em meio a crises sucessivas, mas de um encontro convocado quando os próprios fundamentos políticos, institucionais e normativos da ordem internacional do pós-guerra se encontram em aberto processo de decomposição.
O que chega aos Alpes suíços não é um mundo em transição ordenada, mas um sistema internacional em ebulição, marcado pela erosão de consensos, pela revalorização da força e pelo esvaziamento das regras que, durante décadas, organizaram o capitalismo global.
Para compreender o alcance do impasse atual, é necessário recuar e situar historicamente o papel que o Fórum Econômico Mundial desempenhou desde sua criação.
O Fórum Econômico Mundial foi criado em 1971, por iniciativa do economista alemão Klaus Schwab, inicialmente como um encontro voltado à aproximação entre empresários europeus e gestores públicos, inspirado nos modelos de governança corporativa e planejamento estratégico que ganhavam força no pós-guerra. Com o tempo, o Fórum deixou de ser um espaço restrito ao mundo empresarial e passou a se consolidar como um dos principais pontos de encontro informais das elites políticas, financeiras e corporativas globais.
Diferentemente de organizações multilaterais formais, como a ONU ou o FMI, o Fórum não é composto por Estados-membros nem produz decisões vinculantes. Seu poder sempre foi de outra natureza: simbólico, discursivo e relacional. Davos tornou-se o lugar onde chefes de Estado, ministros da Fazenda, presidentes de bancos centrais, executivos das maiores corporações do planeta, representantes de organismos internacionais e setores selecionados da academia e da sociedade civil se encontram para alinhar diagnósticos, testar consensos e........