Clara Angélica e a luz da memória
A morte de Clara Angélica Porto Caskey, ocorrida domingo, 10 de maio, em Aracaju, encerra uma trajetória singular da vida cultural sergipana. Jornalista, atriz, cantora, cronista, intérprete, pianista, ativista cultural — Clarinha pertenceu a uma geração que ajudou a construir pontes entre arte, comunicação e vida pública num Sergipe ainda marcado pelos limites da província e pelas inquietações de um mundo em transformação.
Mas talvez defini-la apenas por suas atividades seja insuficiente. Há pessoas que deixam currículos. Outras deixam atmosferas. Clara Angélica parecia pertencer a essa segunda categoria rara: a daqueles cuja presença modifica o ambiente ao redor, ilumina conversas, aproxima pessoas e amplia os horizontes culturais de uma cidade.
As homenagens surgidas desde sua partida revelam justamente isso. Em quase todas elas aparece a mesma imagem: luz, alegria, movimento, flores, jardins, música, inteligência e curiosidade diante da vida.
Luiz Eduardo Costa recordou a menina “precoce, curiosa, até abelhuda”, interferindo nas conversas dos adultos e já demonstrando inconformismo diante da “mesmice provinciana” da antiga Aracaju. O pai a repreendia com o cenho fechado, logo desfeito em orgulho silencioso. Havia ali algo que transcendia a irreverência........
