O dia em que o futebol-arte salvou um punhado de brasileiros
Meu irmão, Paulo Zero, cinegrafista e editor de imagens, tem vasta experiência internacional.
Já viajou praticamente o planeta inteiro fazendo reportagens e imagens sensacionais.
Ele tem, obviamente, um grande estoque de histórias interessantes para contar.
Mas há uma que é a minha preferida.
Logo após a revolução do Irã, em 1979, ele fez parte de uma pequena equipe da TV Globo que foi a Teerã fazer uma reportagem “in loco”, ainda no calor dos acontecimentos.
Foram bem recebidos. Conseguiram até a proeza, obviamente negada a jornalistas estadunidenses e europeus, de entrar na Embaixada dos EUA no Irã, tomada por estudantes e guardas revolucionários, para fazer entrevistas.
Tudo ia muito bem até que, no finalzinho da viagem, resolveram fazer umas imagens externas já perto do aeroporto de Teerã, numa área que o regime considerava “de segurança”.
Rapidamente apareceu uma equipe fortemente armada de guardas revolucionários que os prenderam e os levaram a um lugar reservado.
Situação muito tensa. Os guardas estavam visivelmente irritados e achando que se tratava de gringos espiões, que buscavam descobrir fragilidades militares do regime.
O grande problema era a barreira do idioma. Os guardas só falavam e entendiam farsi. Não entendiam nada de inglês ou francês e, muito menos, de português.
Não compreendiam as explicações que a equipe de brazucas procurava dar.
A tensão ia se avolumando, até que alguém da equipe, não me lembro quem, começou a gritar:........
