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O ministro esconde a toga

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22.01.2020

O resultado do Roda Viva de 20 de janeiro de 2020 era esperado. Foi uma entrevista ao Ministro da Justiça e as perguntas se reduziam a sua relação com Bolsonaro, sua opinião a projetos em curso e sobre o futuro: um posto ao STF ou candidatura eleitoral em 2020 (presidente ou vice). Sabendo da volatilidade das políticas do governo, era um debate inútil sobre posições em mudança permanente.

Mas o mais importante não era discutir o ministro, mas situar o juiz curitibano Moro. Este, numa declaração inicial, adiantando-se antes de ser perguntado declarou, sem justificar, não se importar com os vazamentos publicados pela Intercept, afastando-os com uma palavra definitiva e sem explicações: uma bobajada. Só uma última pergunta, nos minutos finais, tocava novamente no VazaJato e a resposta era a mesma: tratavam-se de fatos difundidos de maneira fraudulenta sem nenhum valor. Na verdade não afirmava ou negava os vazamentos, apenas contestava o fato de serem obtidos por fontes anônimas e por isso sem credibilidade.

Isso nos remete ao caso Watergate, de 1974, que levou à queda de Richard Nixon. Dois jornalistas do Washington Post, Bob Woodward e Carl Berstein, publicaram conversas gravadas no salão oval a partir de um informante também anônimo, o “garganta profunda”, só revelado muitos anos depois. Mas, no meio tempo, os jornalistas puderam publicar os dados sem identificação do informante, em nome da liberdade de informar, princípio claro na liberdade americana. Isso levou à abertura de um processo de impeachment, superado pela renúncia do presidente, que se adiantou, como entre nós Collor o faria mais tarde.

O fato das informações terem origem anônima não impediu os jornalistas de publicá-las em nome da liberdade de informar e com o apoio da diretora do jornal americano. Aqueles apenas informaram terem concluído, numa pesquisa interna, pela veracidade dos fatos. Algo semelhante ocorreu com a VazaJato de Glenn e equipe. A equipe Intercept Brasil, tendo à frente Glenn Greenwald, fez cuidadosa análise, logo compartida pela Folha de São Paulo e pela revista Veja.

Nos últimos anos, dois casos chamaram a atenção. Um, Edward Snowden, ex-CIA e ex-analista da Agência de Segurança Nacional Americana (NSA) , que vazou milhares de papeis secretos com a divulgação de diálogos entre juízes e procuradores e o sistema de vigilância global da NSA. Contatou Glenn Greenwald, que ajudou a dar publicidade aos documentos e hoje, depois de uma ida rocambolesca à China, Snowden vive agora possivelmente na Rússia.

O outro caso é o de Julian Assange, australiano, que criou o Wikileads, difundindo documentos confidenciais de governos e empresas, refugiado por muitos anos na embaixada equatoriana em Londres, afinal capturado pela Scotland Yard, com pedidos de extradição dos Estados Unidoa e da Suécia.

Para entender o que está por trás do Intercept Brasil, temos de conhecer melhor o papel de Glenn Greenwald,........

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