Recreio

Entre o preto da lousa e o branco da folha de papel, o cinza da porta do banheiro era o melhor espaço para escrever. Ali, alunos do Instituto La-Fayette, “entra burro e sai pivete”, esbanjavam valentia para rabiscar o que não teriam coragem de falar ou mostrar em sala de aula.

Na solidão das cabines, com vaso sanitário e descarga de cordinha, a caneta bic trabalhava com intensidade.

Para provocar um colega qualquer em momento de concentração, um de nós sapecou: TÁ FAZENDO FORÇA POR QUÊ?

E outro gaiato anotou logo abaixo: SE LIMPA BEM DIREITINHO, NENEM.

Desafiadoras e ao mesmo tempo inocentes, as frases se multiplicavam: QUEM NÃO GRUDAR MELECA NA PAREDE VAI VIRAR MULHER DO PADRE.

QUEM NÃO COLA CHICLETE NO VASO VAI LEVAR CASCUDO NO CORREDOR POLONÊS

O futebol, claro, também ia pro “mural”:

MENGO É FREGUÊS DE CADERNINHO.

PURUCA E CREMÍLSON, ISSO É........

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