“Brasil acima de tudo”: quando o patriotismo pede socorro a Washington

Durante anos, o bolsonarismo se apresentou ao país envolto na retórica ruidosa do “Brasil acima de tudo”. Bandeiras, slogans nacionalistas e apelos emocionais foram mobilizados para construir a imagem de um movimento supostamente defensor da pátria, da soberania nacional e dos interesses do povo brasileiro. No entanto, não é o blá-blá-blá que revela a essência de um fenômeno político, mas a prática concreta e os interesses de classe que ele serve. E, nesse terreno, o bolsonarismo se revela como aquilo que sempre foi: uma força profundamente antinacional, submissa ao imperialismo e disposta a sacrificar a soberania do país em nome da manutenção de seus privilégios.

O que se vê hoje escancara essa contradição de forma ainda mais grotesca. Setores expressivos do bolsonarismo passaram a defender abertamente que os Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, intervenham nos assuntos internos do Brasil. Não se trata mais de alinhamento ideológico ou diplomático, mas de um verdadeiro clamor por sanções econômicas, boicotes comerciais, pressões políticas e até interferência direta no processo eleitoral brasileiro. Em outras palavras, aqueles que se diziam patriotas agora pedem, sem pudor, que uma potência estrangeira use seus mecanismos de coerção contra o próprio país.........

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