Parabéns, Lula, por não perder tempo com debates desnecessários no primeiro turno

Na noite de ontem, durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda., o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi direto ao responder se participará dos debates presidenciais no primeiro turno.

“Eu, como presidente da República, não vou para debate para ouvir bobagem. Não vou. (…) Fazer debate com cara que não tem compromisso com ninguém?”, afirmou.

Sua declaração confirma a análise que publiquei no Brasil 247 em 21 de julho. Para um presidente que faz um bom governo, lidera as pesquisas e tem chances reais de vencer ainda no primeiro turno, comparecer a esses encontros seria um erro estratégico.

Lula não tem nada a ganhar. Tem apenas a perder.

Os debates de primeiro turno deixaram há muito tempo de ser espaços para a apresentação séria de propostas. Transformaram-se em arenas de provocação, lacração, produção de cortes para as redes sociais e ataques coordenados contra quem ocupa a liderança.

Como presidente e candidato à reeleição, Lula seria a vidraça de todos. Seus adversários não estariam interessados em discutir o futuro do Brasil, mas em arrancar alguns segundos de confronto com ele para tentar ganhar visibilidade.

Não há razão alguma para oferecer a eles esse prêmio.

Um palco para agressões

O primeiro problema é evidente. Em um debate com muitos candidatos, todos se voltariam contra Lula.

Pouco importaria a consistência das propostas, a realidade do País ou os resultados do governo – que ontem alcançou o menor desemprego da série histórica. O objetivo dos adversários seria provocar o presidente, tentar tirá-lo do sério e produzir alguma cena que pudesse ser explorada eleitoralmente.

Lula não precisa se submeter a esse espetáculo.

Um presidente da República não pode ser tratado como escada para candidatos sem densidade política, eleitoral........

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