Milei comprova o paradoxo da extrema-direita: o ódio leva ao poder, mas também é garantia de fracasso econômico
A extrema-direita contemporânea descobriu uma fórmula eficiente para chegar ao poder. Alimenta o ressentimento, transforma adversários em inimigos, fabrica guerras culturais permanentes, cria bodes expiatórios e oferece soluções simplistas para problemas complexos. O ódio mobiliza. O espetáculo conquista audiência. O escândalo produz engajamento. Mas existe um problema que, cedo ou tarde, se impõe: nenhum país é governado por memes, provocações ou transmissões nas redes sociais. A realidade cobra seu preço, como mostram as pesquisas recentes na Argentina.
Javier Milei é a mais recente demonstração desse paradoxo. Seu estilo histriônico, suas motosserras simbólicas, seus insultos diários ao Brasil e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um estadista globalmente reconhecido, e sua promessa de destruir o Estado encantaram uma parcela importante do eleitorado argentino cansada da crise econômica. Entretanto, passados os primeiros anos de governo, cresce a percepção de que o espetáculo não resolve a vida das pessoas. Quando chega o momento de pagar o aluguel, abastecer a geladeira ou encontrar um emprego, as guerras culturais deixam de ser prioridade.
As pesquisas divulgadas na Argentina mostram exatamente isso. A maioria dos argentinos deseja uma mudança de governo. A desaprovação à gestão cresce. A economia continua sendo apontada como o principal problema. A promessa de prosperidade ilimitada vai sendo substituída por uma pergunta simples: onde estão os resultados?
Não se trata de um acidente de percurso. Trata-se da consequência lógica do projeto político representado por Milei.
Nenhum governo pode prosperar quando renuncia à própria soberania. Nenhum país se........
