O Tariflávio
Choveu agora pela manhã.
Raios luminosos rasgaram o céu com suas raízes eletrificadas.
Meu gatinho, Frajola, que farejava o aroma úmido da rua, saltou da janela todo arrepiado, apavorado com o estrondo sombrio do trovão.
Era como se tivesse ocorrido um terremoto no firmamento.
Durou pouco o aguaceiro e o trovejar, nem chegou a formar correnteza no canto da via. A chuva logo foi se esvaindo, serenando em chuviscos finos, como um espirro de São Pedro.
Aproveitei pra ir catar cajus no quintal da vizinha, subindo no cajueiro iluminado pela ponta colorida de um arco-íris.
“Não sei como diabos alguém vota num cabra safado desse”, disse dona Maricota, com uma voz mal-humorada, assim que me viu descer da árvore.
“E a senhora alguma vez votou em mim?”, perguntei, surpreso e ofendido.
Ela gargalhou com as mãos nas cadeiras e........
