Censuraram os nomes de partes do nosso corpo

Há algo de profundamente revelador na forma como nomeamos o próprio corpo, esse território íntimo que habitamos desde o primeiro sopro de consciência. Entre o que o povo diz e o que a ciência permite dizer, interpõe-se uma muralha antiga: a moral religiosa, a sombra pálida de um pudor herdado, que se insinua nas conversas, nos gestos, e sobretudo nas palavras proibidas. Porque, sim, há palavras proibidas, não por ferirem, mas por revelarem a verdade simples do que somos.

O povo, sábio em sua espontaneidade, batizou cada pedaço de si com a liberdade de quem reconhece a vida como um organismo pulsante. Mas a moral, essa guardiã dos “bons costumes”, tratou de pôr mordaça nos termos que considerou inconvenientes, como se pudesse extirpar da carne aquilo que existe por natureza. Orelha, nariz, boca, dedo: esses escapam à vigilância, talvez porque se exibem ao sol, porque não........

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