Trump declarou guerra a toda a América Latina |
A ação desencadeada pelos Estados Unidos contra a Venezuela neste sábado (3) constitui um episódio de extrema gravidade e marca uma inflexão perigosa nos conflitos internacionais contemporâneos.
Trata-se de uma operação brutal, cuidadosamente planejada e executada como demonstração explícita de força, destinada a impor pela violência aquilo que Washington já não consegue assegurar por meio da diplomacia, do direito internacional ou de qualquer forma mínima de consenso entre as nações. Ficou patente a brutalidade dessa ofensiva, executada pela chamada Força Delta, uma divisão apresentada como da elite das forças armadas dos EUA, que é na prática uma organização terrorista com raio de ação internacional. A ação deixou evidente ainda o desprezo absoluto pela soberania de um país e pela vida de seu povo.
Estamos diante de uma ação de caráter inequivocamente criminoso. A ação é criminosa porque viola frontalmente a Carta das Nações Unidas, ignora os princípios da autodeterminação dos povos e do não uso da força, e atropela qualquer noção de legalidade internacional. Afronta, ainda, princípios consagrados na Segunda Cúpula da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) realizada em Havana, em 2014. É criminosa porque transforma sanções, bloqueios, ameaças militares e ações militares diretas em instrumentos sistemáticos de coerção política. E porque normaliza a agressão armada como método permanente de dominação, com um agravante inaceitável: o sequestro de um Presidente da República legítimo e constitucional, um líder revolucionário, socialista, dedicado ao bem-estar de seu povo e à grandeza de sua nação.
Esta ação desnuda, sem qualquer disfarce, o caráter imperialista da política externa dos Estados Unidos. As instituições multilaterais, já profundamente fragilizadas, entram em colapso quando a maior potência militar do planeta usa a força bruta para impor seus desígnios. O sistema internacional, que deveria mediar conflitos e conter abusos, é rebaixado à condição humilhante de espectador impotente. O direito internacional deixa de ser norma e passa a ser tratado como peça descartável.
A guerra contra a Venezuela insere-se plenamente na nova fase do imperialismo estadunidense, consolidada a partir da recente estratégia de segurança nacional e do chamado corolário Trump. Este, desprovido de caráter, de compromisso com o diálogo e de quaisquer qualificações........