A lição da Comuna de Paris: os trabalhadores podem tomar o poder
Por José Reinaldo Carvalho - Há exatos 155 anos, no dia entre 18 de março de 1871, as massas trabalhadoras francesas insurgiram-se contra o poder das classes dominantes e fundaram a Comuna de Paris. Desde então, até 28 de maio de 1871, protagonizaram o primeiro ensaio geral da tomada do poder político, um "assalto aos céus", como designou Marx, que até hoje ecoa como uma ameaça real à ordem burguesa. A Comuna de Paris foi a demonstração de que os explorados podem organizar a vida sem opressores e exploradores, sem verdugos fardados de generais e sem o jugo do Estado a serviço do capital.
O Governo dos trabalhadores
Em meio à humilhação da derrota na Guerra Franco-Prussiana e ao cerco de Paris, enquanto a burguesia se acovardava em Versalhes, o povo da capital francesa ergueu barricadas e, pela primeira vez na história, colocou o poder nas mãos do proletariado. Durante 72 dias, a Comuna não foi apenas um levante, mas a cristalização de uma nova forma de governar e viver. Os trabalhadores assumiram a gestão econômica, decretaram a separação definitiva entre Igreja e Estado, instituíram o ensino laico e gratuito, e estabeleceram que qualquer funcionário público deveria receber um salário de operário, eliminando o privilégio da alta burocracia, e todos os cargos tornaram-se eletivos e passíveis de revogação imediata, um golpe mortal na velha casta estatal que sempre serviu à burguesia.
As mulheres tiveram protagonismo inegável, organizando-se na União das Mulheres para a Defesa de Paris e os Cuidados aos Feridos, provando que a revolução social só se completa com a libertação feminina.
A Comuna de Paris praticou a emancipação em cada decreto, em cada decisão tomada nas sessões públicas do Conselho da Comuna. Foram 72 dias de um laboratório social revolucionário que antecipou em décadas as grandes conquistas da humanidade trabalhadora. Como observou Karl Marx,........
