Eletrobras privatizada: lucros em alta, trabalho em declínio |
O processo de privatização da Eletrobras foi formalizado pela Lei nº 14.182, de 12 de julho de 2021, que autorizou a União a reduzir sua participação no capital social da empresa, transformando-a em uma corporação sem controle acionário definido. A privatização ocorreu por meio de uma capitalização, em que a União subscreveu novas ações sem exercer o direito de preferência, diluindo sua participação e permitindo que o capital privado se tornasse majoritário. Com a mudança de controle, a empresa passou a operar sob uma nova governança, com foco renovado em resultados e no lucro dos acionistas, marcando uma nova era para o que hoje é conhecido como Eletrobras/Axia Energia.
Em 2021, com a companhia ainda pública, a Razão Acionistas: Trabalhadores foi de 3,71 para 1, ou seja, o valor distribuído aos acionistas foi 3,7 vezes superior ao distribuído aos trabalhadores. A partir de 2022, já com a companhia privatizada, essa razão muda substancialmente a favor dos acionistas, para mais de seis vezes.
As políticas de distribuição de lucros na Eletrobras preveem que os acionistas receberão 41% do lucro ajustado (base legal: Estatuto Social da Eletrobras), inclusive com a possibilidade de distribuir reservas acumuladas, como ocorreu em 2025. Para os trabalhadores, o teto máximo previsto é de 6,25% do lucro líquido ajustado, de acordo com os Termos de Pactuação da PLR, limitado a 25% dos dividendos distribuídos. Dessa forma, a distribuição de dividendos é fator determinante para o teto máximo da PLR.
Isso significa que, enquanto os trabalhadores têm uma limitação clara e extremamente restritiva de recebimento de PLR, o Estatuto Social da empresa permite que os acionistas fiquem com quase metade do lucro líquido produzido. Antes da privatização, a distribuição de dividendos era um pouco mais equilibrada, apesar de ainda favorecer flagrantemente o capital.
Em outubro de 2025, o nome da Eletrobras mudou para Axia Energia. Mais do que uma mera adequação do nome da companhia, essa mudança representou principalmente uma nova política corporativa, rompendo com a política anterior, que dava as coordenadas no sentido de uma empresa pública como era a Eletrobras (com todas as limitações que se poderiam apontar). A mudança de nome para Axia Energia foi efetivamente acompanhada por uma nova política corporativa, para a qual a companhia já vinha se dirigindo, com foco........