menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Dívida pública mundial e o verdadeiro poder no Brasil

6 1
previous day

Enquanto o governo dos EUA vai, sistematicamente, preparando um grande confronto em nível mundial, no ano fiscal de 2025 (out/2024–set/2025) o país gastou US$ 970 bilhões com juros da dívida pública. Apesar desse gasto monstruoso (quase metade do PIB brasileiro), a dívida cresceu US$ 2,23 trilhões no ano passado, chegando a US$ 38,4 trilhões (um ritmo de crescimento de aproximadamente US$ 6,12 bilhões por dia).

A dívida norte-americana, mesmo com a queda gradativa da hegemonia do dólar na economia mundial, dificilmente se tornará impagável por um problema de insolvência. Afinal, o Tesouro dos EUA emite dívida majoritariamente em dólar, e o governo opera com apoio do sistema monetário em sua própria moeda, o que torna muito baixo o risco de um “default involuntário”, típico do que aconteceu em tantos países endividados em dólar em todo o mundo.

Talvez o maior risco nos EUA seja o custo macroeconômico que o país terá de arcar, caso a dívida continue crescendo em proporção ao PIB. Ou seja, juros reais efetivos maiores que o crescimento por muito tempo e/ou déficits primários persistentes, aumento de impostos, inflação ou alguma combinação destes fatores. O risco não é de insolvência, por causa da posição privilegiada que têm os EUA na economia internacional, mas o rumo é arriscado, especialmente em uma situação de preparação para uma conflagração em larga escala. A pergunta-chave que os economistas americanos fazem refere-se à dinâmica da dívida: a relação dívida/PIB vai se estabilizar ou não? Isso depende do crescimento, do nível dos juros, do resultado primário e da demanda por títulos do Tesouro dos EUA.

A dívida pública se tornou um problema sistêmico global, especialmente depois da pandemia de 2020/21. A razão dívida pública global/PIB saiu de cerca de 84% em 2019 para algo em torno de 90% do PIB em 2022–2023, com projeção de se aproximar........

© Brasil 247