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No caminho do caos

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Do A Terra é Redonda

1.

Na última semana de 2025, o sistema mundial entrou em estado de hipertensão caótica. Em apenas sete dias, e quase simultaneamente, os Estados Unidos fecharam o cerco marítimo e proibiram a circulação aérea sobre a Venezuela, sem que os dois países estivessem em guerra. A China cercou a ilha de Taiwan e realizou um exercício de guerra com fogo real, incluindo a interdição de alguns segmentos de seu espaço aéreo, em resposta às ameaças militaristas do Japão.

A Ucrânia atacou a casa do presidente russo Vladimir Putin, na região de Novgorod, utilizando 91 drones e com apoio da inteligência inglesa e norte-americana. A Rússia anunciou que seu novo sistema de mísseis Oreshnik – indefensáveis e com capacidade nuclear – estava pronto para uso imediato, em resposta ao ataque da Ucrânia, a poucos minutos de distância de Berlim, Paris e Londres. Os Estados Unidos bombardearam o território da Nigéria e anunciaram novos ataques aéreos em caso de necessidade, segundo seu arbítrio.

A Arábia Saudita bombardeou o Iêmen, sem que houvesse declaração de guerra. Inglaterra e França bombardearam o território da Síria sem aviso prévio. E por fim, os Estados Unidos atacaram o território venezuelano e sequestraram seu presidente, Nicolás Maduro. O mais impactante foi sem dúvida o rapto do presidente venezuelano, seguido – como em outros ataques américas – de um tweet de Donald Trump, contendo ameaças e difundindo o medo que é uma peça essencial no exercício do poder. Assim mesmo, o ataque em si não representa uma novidade nas relações dos EUA com a América Latina, muito menos na história do “sistema interestatal” inventado pelos europeus.

Os defensores do Direito Internacional em geral falam muito pouco, ou omitem diretamente uma de suas cláusulas fundamentais, a “cláusula de exclusão de ilicitude”, que garantiu às Grandes Potências do sistema interestatal (nunca mais do que quatro ou cinco) o “direito” auto atribuído e a impunidade para de atacar e invadir o território de outros países, sem respeitar o “direito à soberania” considerado como a “pedra angular” do sistema de estados nacionais consagrada pelos europeus através da chamada Paz de Westfália, assinada em 1648.

2.

A Inglaterra e a França usaram e abusaram deste “direito à invasão” nos últimos 200 anos, e acabaram de bombardear a o........

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