A ordem e o caos, longe do equilíbrio

O sistema internacional está vivendo uma convulsão global. Em momentos como este, de desordem e caos, alguns países sobem e outros descem na hierarquia mundial, enquanto a luta pelo poder global entre as potências que resistem e aquelas que desafiam a velha ordem em decomposição adquire enorme intensidade e grande imprevisibilidade. Ao mesmo tempo, no limite, o sistema como um todo se defende da sua própria entropia “fugindo para frente” e expandindo- se em todas as direções, até o momento em que se redesenhe o novo mapa do poder global, através de uma sucessão de guerras interconectadas.

Isto já aconteceu várias vezes através da história do sistema internacional em que vivemos, mas não há dúvida de que a desordem e o caos contemporâneos devem ser mais intensos e se prolongar por mais tempo do que no passado, porque desta vez, o epicentro da convulsão mundial envolve o deslocamento e o ocaso da “hegemonia civilizatória” da Europa. A mesma Europa onde se formou o sistema interestatal, e que comandou o processo de “universalização” desse sistema nos últimos 800 anos. A expansão desse sistema deverá seguir depois da convulsão atual, mas não há nenhum determinismo ou teleologia que nos permita prever seu “destino final” ou mesmo seu futuro imediato.

Só sabemos que o sistema interestatal obedece à lei implacável da “expansão do poder”, e que a tecnologia, as armas, o dinheiro e as ideias sempre estiveram a serviço dessa busca incansável dos europeus, e talvez, de todos os tempos e de todos os povos. Assim mesmo, é possível mapear algumas recorrências desse verdadeiro “universo em expansão”.

A partir do momento em que o “sistema interestatal” deu seus primeiros passos dentro da Europa, nos séculos XIII e XIV, ele cresceu de forma contínua até se transformar num sistema global. E essa expansão não foi um produto natural do crescimento dos “mercados” e do comércio, ou mesmo da “acumulação do capital”. Ela foi uma obra violenta do poder conquistador dos primeiros poderes territoriais que definiram suas fronteiras internas dentro da Europa, quase ao mesmo tempo em que se expandiam para fora do Velho Continente, transformando-se, a um só tempo, em Estados nacionais e........

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