Acusados de encomendar o assassinato de Marielle e Anderson foram condenados sem provas |
Na noite em que a vereadora Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados,em 14 de março de 2018, o terror da era bolsonarista se impôs no Brasil. A segurança no Rio de Janeiro estava sob intervenção militar, a presidente Dilma Rousseff tinha sido alvo de golpe, Lula seria preso algumas semanas depois e, em outubro, Jair Bolsonaro seria eleito presidente.
O sangue que escorreu dos corpos de Marielle e de Anderson pode ser visto também como uma metáfora de que o Brasil tinha uma ferida aberta, e ainda não cicatrizada. Punir os responsáveis pela morte de Marielle seria uma forma de estancar a hemorragia no organismo democrático. O julgamento dos mandantes do assassinato de Marielle e de Anderson, porém, não representa justiça.
E escrevo com tristeza, porque tenho coberto o caso e vi hoje provas de absolvição serem desprezadas e um veredicto com fundamento em ilações. São vários os pontos que poderiam ser abordados aqui, mas vou me ater a alguns, que são suficientes para mostrar que os verdadeiros mandantes do crime podem estar impunes, já que o inquérito realizado pela Polícia Federal, endossado pela Procuradoria Geral da República, ignora fatos relevantes e distorce outros.
Em seu voto, o relator Alexandre de Moraes cita a suposta infiltração de um miliciano no PSOL para monitorar Marielle como evidência de que os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão foram os mandantes do crime.
No momento em que Moraes relatava essa filiação, que ocorreu em 2 de abril de 2017, enviei mensagem para o ex-vereador Leonel Brizola Neto, um político acima de suspeita, e perguntei a ele se era fato que Laerte Silva de Lima, suposto infiltrado pelos irmãos Brazão, tinha sido filiado ao partido por iniciativa de um líder comunitário ligado a ele.
A resposta de Brizola Neto:
“O Dom Pepito (cabo eleitoral de Brizola Neto) era um filiado do PDT, trabalhou muito tempo comigo no PDT e também me ajudou a fazer as zonais de Guaratiba, Pedra de Guaratiba, era uma liderança ali da área, fez parte da Executiva do Guaratiba, de Pedra de Guaratiba, quando era do PDT. Quando eu fui para o PSOL, ele me acompanhou também, me ajudava, botava lá as coisas do Brizola, é um brizolista antigo, sei que trabalhou muito tempo no circo, é uma caricatura ali do bairro, bem engraçado, é uma pessoa legal. Depois eu soube da notícia pelo próprio PSOL de que ele filiou um cara que era da milícia. Quando começa a filiar, eu não fico perguntando, você não pergunta os antecedentes de ninguém, esta é uma função para........