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O escândalo: Master ou bolsonarista?

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24.05.2026

O caso Banco Master explodiu como um escândalo financeiro de proporções nacionais: liquidação de instituições do conglomerado, suspeitas de fraude bilionária, prisão de Daniel Vorcaro e a revelação de que Flávio Bolsonaro buscava um financiamento privado de US$ 24 milhões para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Segundo a Reuters, o Banco Master teria colapsado em meio a uma investigação de fraude multibilionária; o Financial Times falou em colapso bancário de US$ 10 bilhões e suspeitas de fraude de US$ 2,3 bilhões. Flávio admitiu a tratativa, mas afirmou que se tratava de contrato privado legítimo, sem contrapartida ilícita. (Reuters)

Mas o Master talvez seja apenas a face bancária mais recente de uma engrenagem política muito mais ampla. A pergunta jornalística relevante não é apenas “quanto custou o Master?”, mas quanto custou — em dinheiro público, captura institucional, emendas, favores, bens apropriados, estruturas paralelas, campanhas de desinformação e aparelhamento do Estado — o ciclo político que se organizou em torno do bolsonarismo.

As rachadinhas: o gabinete como unidade econômica

A conta documentável começa antes do Palácio do Planalto, no Rio de Janeiro. O caso das “rachadinhas” no gabinete de Flávio Bolsonaro, embora encerrado judicialmente após anulações de provas e rejeição da denúncia, deixou uma cifra pública: segundo a Reuters, a denúncia do MP-RJ atribuiu a Flávio participação em esquema de desvio de salários de assessores na Alerj e falava em R$ 6,1 milhões desviados; já o Coaf apontou movimentações atípicas de Fabrício Queiroz, incluindo valores que chegaram a R$ 7 milhões em determinado recorte temporal, segundo reportagens da época. O processo não resultou em condenação, e a defesa sempre negou irregularidades, mas o caso permanece como marco inaugural da suspeita de uma economia política familiar estruturada a partir de gabinete, assessores, dinheiro vivo e intermediações. (Reuters)

O fato jurídico de não haver condenação não elimina o fato político de que o caso revelou um padrão de assessorias, dinheiro vivo, familiares de policiais, operadores de confiança e movimentações financeiras incompatíveis com a normalidade administrativa. (Agência Brasil)

Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio e antigo amigo da família Bolsonaro, tornou-se personagem-síntese desse sistema. Ele fazia a ponte entre gabinete parlamentar, mundo policial e relações pessoais da família. O caso terminou sem condenação contra Flávio, mas sua força histórica está em ter revelado a anatomia inicial de um método: política como fonte de renda privada, gabinete como caixa informal, fidelidade pessoal como mecanismo de blindagem.

O patrimônio imobiliário: a pedagogia do dinheiro vivo

O primeiro capítulo é patrimonial. Levantamento do UOL apontou que Jair Bolsonaro e familiares próximos adquiriram 107 imóveis ao longo de três décadas, sendo 51 pagos total ou parcialmente em dinheiro vivo. Segundo a reportagem, o valor corrigido dessas transações em espécie se aproximava de R$ 26 milhões. O levantamento considerou imóveis de Jair Bolsonaro, filhos, mãe, irmãos e ex-mulheres. (UOL Notícias).

Dinheiro vivo não é crime por si só. Compra de imóvel em espécie também não constitui, automaticamente, lavagem de dinheiro. Mas, em uma família que fez carreira na política profissional, com renda pública conhecida, o padrão chama atenção por três razões: primeiro, pela quantidade; segundo, pela recorrência; terceiro, pela coincidência com outros casos envolvendo assessores, movimentações atípicas e suspeitas de retenção de salários em gabinetes parlamentares.

A pergunta contábil é simples: qual a origem econômica de tanto numerário? Salários parlamentares explicam patrimônio declarado, mas não necessariamente explicam preferência reiterada por espécie, circulação informal e aquisição pulverizada por vários membros da família.

Essa é a primeira camada da contabilidade bolsonarista: antes da Presidência, antes do orçamento secreto, antes do Master, havia um padrão patrimonial a ser explicado.

A........

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