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A escola, a singularidade do aprender e a aptidão final do formado

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20.05.2026

A escola ainda conserva, em sua arquitetura institucional mais profunda, um modelo industrial de esteira de produção. Organiza estudantes por faixas etárias rígidas, distribui conteúdos em compartimentos sucessivos, mede desempenhos por instrumentos padronizados e, ao término de cada ciclo, delibera quem “avança” e quem “permanece”, como se crianças e adolescentes fossem objetos seriados, submetidos ao mesmo molde, ao mesmo ritmo e ao mesmo padrão abstrato de acabamento.

Esse modelo encontra-se historicamente superado. Ele deriva de uma racionalidade fabril, disciplinar e hierárquica, própria de sociedades que buscavam formar sujeitos ajustados à repetição, à pontualidade, à obediência e à previsibilidade da produção industrial. A escola, nesse desenho, não se estrutura a partir da singularidade do aluno, mas da conveniência administrativa do sistema. O estudante deixa de ser reconhecido como sujeito em formação e passa a ser reduzido a unidade mensurável de rendimento: aprovado ou reprovado, apto ou inapto, eficiente ou deficitário.

A reprovação escolar é uma das manifestações mais severas dessa racionalidade. Ela se sustenta sobre a premissa equivocada de que a repetição integral de um ano letivo produzirá, por si só, a aprendizagem que não se consolidou. Mas, em inúmeros casos, aquilo que se repete não é o conhecimento: repete-se o fracasso. Repete-se o estigma. Repete-se o constrangimento. Repete-se a ruptura do vínculo com a escola. Repete-se a interiorização da incapacidade. Reprovar, quase sempre, significa atribuir ao aluno a culpa pelo insucesso de um modelo que não foi capaz de acompanhá-lo no tempo adequado, com os meios adequados e segundo suas necessidades reais.

Isso não equivale a defender uma aprovação automática irresponsável, como se a escola devesse conduzir os alunos adiante sem compromisso substantivo com o conhecimento. A crítica à reprovação não é uma apologia da leniência pedagógica. Ao contrário: é a exigência de uma responsabilidade institucional muito mais elevada. Uma escola sem reprovação precisa ser mais rigorosa, não menos. Mas seu rigor deve residir no acompanhamento contínuo, na identificação precisa das dificuldades, na intervenção pedagógica tempestiva e na construção de percursos formativos sensíveis à diversidade concreta dos estudantes.

As escolas devem receber a estrutura necessária para abandonar o atual modelo de seleção, retenção e exclusão, avançando para outro paradigma educacional: um modelo no qual as aulas possam continuar sendo oferecidas em escala, porque há, evidentemente, conteúdos comuns a........

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