Israel e o dilema democrático europeu

A União Europeia atravessa uma profunda crise existencial, dividida entre os seus princípios fundadores, como "Direitos Humanos", "Dignidade Humana" e "Estado de Direito", e os interesses estratégicos e econômicos ligados a Israel. Essa terrível contradição expõe a fragilidade da sua política externa e explica, em parte, a dificuldade do bloco em constituir uma política autônoma e democrática.

O “clímax” dessa terrível contradição foi a aprovação, pelo parlamento israelense (Knesset), de uma lei controversa que autoriza a execução de prisioneiros palestinos, e a incapacidade de Bruxelas de tomar uma decisão concreta sobre sanções a Tel Aviv diante desse fato. Apesar das práticas de apartheid descritas por várias entidades internacionais na conduta israelense, a UE segue passiva.

"Apartheid" significa literalmente "separação" em africâner. Historicamente, refere-se à política oficial do Estado e ao sistema de governança baseado na segregação racial implementado na África do Sul entre 1948 e 1994. Enquanto especialistas, políticos e ONGs apelam à suspensão imediata do Acordo de Associação UE-Israel, em vigor desde 2000, os líderes europeus mantêm suas ótimas relações com Israel, apesar dos custos políticos e sociais elevados.

Os valores que edificaram a União Europeia estão claramente definidos no Artigo 2º do Tratado de Lisboa e na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. Esses documentos enfatizam a inviolabilidade da dignidade humana e proclamam a liberdade, a democracia, a igualdade e o respeito pelos Direitos Humanos como princípios comuns e inalienáveis a........

© Brasil 247