O clube fechado da inteligência artificial
A diplomacia corporativa digital mostrou em um encontro do G7 em Évian-les-Bains, nesta quarta-feira, até onde pretende chegar. É assim que tenho chamado a projeção de poder das plataformas em três frentes — padrões, infraestrutura e legitimidade. No almoço de trabalho a portas fechadas, os CEOs de Anthropic, Google DeepMind, OpenAI e Mistral não foram à mesa pedir licença para operar. Foram propor as regras de governança da inteligência artificial e tentar que os próprios países desenvolvidos as adotassem. O movimento é mais ambicioso do que o lobby tradicional. As empresas não estão pleiteando uma exceção dentro da regra. Elas querem escrever a regra.
Dario Amodei, da Anthropic, e Demis Hassabis, da Google, pediram uma coalizão de inteligência artificial liderada pelos Estados Unidos para definir padrões e regras globais. Sam Altman reivindicou a criação de um fórum internacional de testagem. As duas propostas convergem num mesmo desenho. A governança da IA seria escrita pelos laboratórios e ancorada em Washington, ou diluída num fórum técnico sem Estado responsável e, de preferência, sem a China. E a forma concreta desse desenho já tem foco. Amodei defendeu acesso estruturado aos modelos de fronteira e comércio de chips que exclua a potência asiática, enquanto uma delegação dos Estados Unidos negociava com europeus um esquema de “parceiros confiáveis” que teriam acesso seletivo aos modelos avançados concedido país a país em um controle de exportação com filtro calibrado pela Casa Branca. Cinco dias antes, em 12 de junho, o governo Trump forçara a Anthropic a desligar mundialmente os modelos Fable 5 e Mythos 5. O almoço, no fundo, discutia à luz do dia como flexibilizar........
