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Ódio de classe em tempos do Banco Master

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04.06.2026

As mais recentes pesquisas sobre intenção de voto para as próximas eleições reforçam algumas peculiaridades que já havíamos observado nas realizadas logo após o megaescândalo do Banco Master ter vindo à tona. Como todos se recordam, foi por meio desta entidade financeira do bolsonarismo que centenas de bilhões de reais dos fundos públicos destinados a aposentados e pensionistas foram desviados para o favorecimento de um pequeno grupo de pessoas.

De certa maneira, os números que estão sendo agora divulgados poderiam ser considerados alvissareiros por quem está no campo democrático, visto que os mesmos evidenciam que a maioria de nossa população está predisposta a expressar nas urnas seu repúdio aos políticos que estão claramente involucrados nas atividades e no apoio deste monstruoso esquema de criminalidade financeira.

No entanto, há também sobrados motivos que aguçam nossa incompreensão e nossa indignação. Decididamente, não é nada fácil entender e explicar a persistência de cerca de 40% dos consultados em manter sua intenção de sufragar para a presidência da República o nome do candidato que está umbilicalmente vinculado com a criação, a gestão e o aproveitamento da aparelhagem responsável pela execução do gigantesco plano de desvios fraudulentos de dinheiro que deveria atender as necessidades e carências de aposentados e pensionistas. Tudo para favorecer um pequeno grupo de espertalhões, no qual quase toda a alta cúpula do bolsonarismo está incluída.

Porém, uma meditação um pouco mais profunda e uma revisão atenta da evolução histórica poderá tornar mais compreensíveis os fatores que alicerçam certos comportamentos sociais aparentemente ilógicos, como o que estamos constatando nestes quase dois quintos da população ainda propensos a votar por quem poderia ser catalogado como um dos principais implicados no maior esquema de corrupção e roubo de dinheiro público desde nosso surgimento como nação.

Mais uma vez, fica reiterada nossa convicção de que existe uma explicação relativamente simples que, ao longo da história e por todo lado, revela e elucida em boa medida o que está por trás de fenômenos sociais do tipo com o qual nos defrontamos neste momento. E a resposta apropriada poderia ser resumida na expressão “ódio de classe”.

Para melhor avaliar a relevância do ódio na determinação do comportamento dos seres humanos, é bom termos em conta que, muito provavelmente, em algum momento ao longo da vida de todos nós, já passamos por situações em que nos deixamos levar por sentimentos de arrebatadora e incontrolável ira.

Mesmo sem ter recebido informação pessoal prévia, poderia assegurar que nenhum dos leitores deste texto está alheio a alguma experiência em que tenha abdicado de sua sensatez e ponderação ao ser tomado pelo poder enceguecedor do ódio. Em tais circunstâncias, somos instados a desconsiderar o uso da razão e da lógica e a atuar quase que exclusivamente em função da fúria que nos domina. Isto ocorre porque o ódio tem a capacidade de se sobrepor a outros sentimentos. Então, ao guiar-se com base no rancor, o ser humano tende a comportar-se de modo muito semelhante ao que é característico dos animais selvagens.

É por ter plena ciência do potencial que o ódio pode representar nos embates sociais que os responsáveis pela política das classes dominantes se esmeram por desenvolver e aperfeiçoar técnicas de manipulação........

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