Supercomputador e superdesemprego
A tragédia de países em desenvolvimento retardatário, como o Brasil, é ter de escolher entre objetivos aparentemente contraditórios para avançar em seus projetos nacionais. Lula acaba de anunciar a aquisição de um supercomputador de um bilhão de reais, a ser instalado no Rio Grande do Norte, mas o Governo nada tem dito sobre a escalada de desemprego e subemprego gerados pelo progresso acelerado da tecnologia (automação, robotização e inteligência artificial).
A compra do computador faz parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), lançado em 2024, que prevê R$ 23 bilhões em investimentos até 2028. É um montante considerável de dinheiro. ‘Mas o que será feito dos trabalhadores expelidos do mercado de trabalho por essas máquinas?’, deve-se perguntar.
Minha resposta não tem ambiguidade. Eles devem abrigar-se em empreendimentos organizados por eles mesmos, com um mínimo de financiamento e assistência técnica governamental, nos chamados Arranjos Produtivos Locais, Territoriais e Vocacionais. Neles, em cooperação entre si, são donos das empresas onde trabalham. Portanto, em lugar de continuarem sob o jugo de patrões que exploram sua força de trabalho, dispensam os patrões capitalistas e criam uma outra forma de trabalho e de vida, que supera em todos os aspectos o capitalismo degradado.
Não há volta para essa situação. Na realidade, o que se projeta para o futuro, que pode estar mais próximo do que muita gente imagina, é que o próprio mercado de trabalho desaparecerá para o trabalhador comum. É que mercado é relação entre oferta e demanda. Em termos de tendência, a oferta de postos de trabalho vai decrescer........
