O rei está nu
Cresci em uma família de políticos com “P” maiúsculo — daqueles para quem a política era vocação pública, debate de ideias e compromisso com o país. Nada a ver com a classe improvisada que, em grande parte, passou a ocupar esse espaço nas últimas décadas. Meu pai foi cassado logo após o golpe de 1964 e, naturalmente, o tema sempre fez parte da minha vida. Ainda assim, segui outro caminho, por recomendação expressa dele. “Você vai trabalhar para o time que sempre ganha: o mercado financeiro”, dizia. Obedeci. Construí minha vida profissional nesse universo ao longo de mais de quatro décadas. Mas nunca deixei de pensar sobre política, nem de questionar os rumos do país.
Na minha casa, o debate começava no café da manhã e frequentemente atravessava o dia até a mesa do jantar. Meu pai dava o tom dessas conversas, quase sempre entre a lucidez e a frustração. Não era para menos. Ele havia sido cassado, afastado da vida pública e obrigado a conviver com o silêncio imposto pela ditadura. Eu vivi toda........
