menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Teerã está martelando os últimos pregos no caixão do império estadunidense

24 0
15.03.2026

Impérios não caem de uma vez: desgastam-se primeiro em sua imagem, depois em sua capacidade de intimidar o mundo e, finalmente, em sua incapacidade de transformar o fogo em futuro. O que está acontecendo não é meramente uma guerra contra o Irã, mas um teste existencial do prestígio de Washington: se o fogo não quebrar a vontade, a própria batalha se tornará mais um prego no caixão da unipolaridade estadunidense.

Nem toda guerra é uma demonstração de poder; algumas são uma admissão de pânico de que o próprio poder está começando a perder sua capacidade de subjugar a história. Quando impérios recorrem ao fogo para reparar seu prestígio abalado, não estão tanto proclamando sua dominância, mas revelando o medo de que uma época esteja escapando de suas mãos.

Este foi o caso da Agressão Tripartite contra o Egito em 1956, e é assim que a guerra contra o Irã se apresenta hoje. Em ambos os casos, o bombardeio não foi meramente um ato militar, mas uma grande tentativa de redesenhar o equilíbrio de poder pela força e compelir uma vontade rebelde a retornar ao controle. Mas a questão que distingue uma guerra que constrói prestígio de uma que expõe suas limitações permanece a mesma: o fogo pode produzir submissão? Ou será que o excesso de destruição, quando não consegue quebrar à vontade, se torna mais uma prova de que o império entrou em declínio?

Quando os impérios estão em desordem, recorrem à guerra. Não admitem facilmente que entraram em uma fase de declínio. Fazem tudo para adiar o momento do reconhecimento: aumentam seus arsenais, intensificam a violência, expandem suas esferas de influência e travam guerras como se estivessem lutando uma batalha final contra o próprio tempo. A guerra, nesse contexto, não é um sinal de completa autoconfiança, mas sim um sinal do medo de perder a capacidade de impor sua antiga ordem.

Quando Gamal Abdel Nasser nacionalizou o Canal de Suez, a Grã-Bretanha, a França e Israel não reagiram simplesmente por estarem surpresos com uma importante decisão soberana, mas porque a viram como um tapa na cara de todo um sistema fundado na premissa de que essa região não tinha permissão para determinar seu próprio destino. A agressão visava restaurar o Egito ao tamanho que o colonialismo lhe havia atribuído e dar uma dura lição a qualquer um que pensasse em se libertar desse controle.

Mas o que aconteceu foi justamente o oposto. A agressão, que pretendia ser uma demonstração esmagadora de poder, transformou-se no início de uma exposição histórica de dois impérios em decadência. A guerra não conseguiu reviver a era colonial decadente, nem desmantelar o Egito ou privá-lo de sua soberania. Assim, em vez de reafirmarem seu domínio, a Grã-Bretanha e a França ofereceram ao mundo uma amarga prova de que seu tempo estava chegando ao fim. A derrota sofrida pelo império não se deu apenas no campo de batalha. A importância de Suez reside não só na retirada dos agressores, mas também na revelação de algo que transcende o resultado militar imediato. Revelou que, quando o poder falha em impor o significado político da guerra, transforma-se de um instrumento de controle em um instrumento de exposição. A Grã-Bretanha e a França não perderam simplesmente uma posição ou uma batalha; perderam sua imagem como potências capazes de subjugar a vontade de um povo que decidiu pagar o preço por sua liberdade.

Este é o ponto crucial de todas as comparações históricas sérias: as guerras........

© Brasil 247