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A Casa Branca em tempos de absurdo: o império estadunidense entrou em declínio?

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25.04.2026

Quando o indivíduo se sobrepõe ao Estado, o humor à instituição e a improvisação à estratégia, o império não se encontra no auge de seu poder, como imagina, mas em um dos limiares de sua grande confusão. Os Estados Unidos não eram apenas um arsenal militar formidável, nem meramente uma economia capaz de absorver mercados e redesenhar mapas de influência, mas também uma imagem cuidadosamente construída de uma nação cujo segredo mais profundo de poder residia, dizia-se, em suas instituições: em sua capacidade de refrear os caprichos dos indivíduos, controlar a tomada de decisões e impedir que a paixão se transformasse em destino global.

Essa era a grande narrativa estadunidense: um presidente pode chegar e outro pode partir, mas o Estado permanece mais profundo do que o ocupante da Casa Branca, mais duradouro do que os caprichos do momento e mais capaz de transformar o poder em ordem, e não em caos.

No entanto, o que o mundo vê hoje em Washington mina completamente essa imagem. Não estamos apenas diante de um presidente barulhento, narcisista e exibicionista, mas de um cenário que revela, com rara crueldade, que o Estado que por tanto tempo se apresentou como o ápice do institucionalismo, às vezes, age como se fosse governado pelo ritmo dos caprichos pessoais, e não pela lógica das instituições.

Um presidente acorda de manhã, toma seu café e publica uma mensagem que inflama os mercados, a política e as alianças; algumas horas depois, envia outro sinal que contradiz o primeiro ou o esvazia de significado, como se o mundo inteiro tivesse se tornado refém entre a paixão da manhã e os caprichos da noite.

Aqui, a questão não se resume mais às excentricidades do homem, mas ao significado do que está acontecendo no próprio âmago do império. Em sua essência, a questão não é meramente um problema de comunicação desenfreada, mas uma exposição política e histórica de uma nação em que o indivíduo começou a rivalizar com a instituição, a improvisação com o planejamento e o clamor com a serenidade que, por muito tempo, foi alardeada como um dos segredos da supremacia estadunidense.

Quando isso ocorre em um país comum, trata-se........

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