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A agressão estadunidense-israelense contra o Irã

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22.04.2026

Isso não vai acabar bem: o declínio e a queda da hegemonia estadunidense. Os Estados Unidos precisam escolher entre cumprir seus compromissos e preservar o pouco que lhes resta. Essa é exatamente a posição que uma superpotência não pode se dar ao luxo de adotar. A guerra de agressão conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra a República Islâmica, bem como os consequentes fracassos e o declínio estratégico e operacional dos agressores, reacenderam os debates, nos círculos intelectuais, sobre o declínio da hegemonia estadunidense, sua irracionalidade e suas consequências desastrosas. Nesse contexto, o autor e ex-oficial da Guerra do Vietnã, Dick Dowdell, oferece sua perspectiva sobre a trajetória dessa deterioração contínua da natureza do poder estadunidense, de suas práticas, de suas contradições e de sua busca pela autodestruição.

Segundo Dowdell, na primavera de 1945, enquanto a fumaça subia das ruínas das cidades europeias e a Guerra do Pacífico se aproximava de seu desfecho sangrento, os formuladores de políticas estadunidenses se depararam com uma escolha raramente apresentada na história: o que fazer com um poder global quase absoluto? Eles optaram por estabelecer sua futura hegemonia por meio de um sistema internacional e de uma estrutura institucional: a OTAN, as Nações Unidas, o sistema monetário de Bretton Woods, os Acordos de Genebra e o Plano Marshall. Essa estrutura restringia o poder estadunidense tanto quanto o poder dos demais, porque os arquitetos desse sistema compreendiam algo que não resiste à abordagem da atual Casa Branca: o poder absoluto, sem legitimidade institucional, gera resistência, e não liderança. Oitenta anos depois, esse sistema está se desfazendo — não pelas mãos de um adversário, mas pelos próprios Estados Unidos.

O Estreito de Ormuz e as consequências da ineficiência

O New York Times enumerou recentemente quatro maneiras específicas pelas quais a guerra de Trump contra o Irã enfraqueceu os Estados Unidos, e todas são verdadeiras. Essas acusações, no entanto, quando examinadas individualmente, ignoram um padrão maior e mais preocupante. Não se trata simplesmente de erros, mas de uma característica comportamental de uma nação que abandona os princípios que regem a ordem internacional que ela mesma criou e liderou.

Dowdell afirma que, antes de agir, é preciso perguntar a si mesmo: o que o seu adversário fará em seguida? Esse não é um princípio complexo, mas um princípio básico, aprendido por qualquer oficial iniciante. A capacidade do Irã de ameaçar o Estreito de Ormuz nunca foi segredo; ao contrário, sempre foi um elemento central nos planos de segurança do Golfo durante décadas. A Guarda Revolucionária Iraniana construiu toda uma doutrina de guerra assimétrica em torno desse ponto estratégico. Quando o diretor da CIA no governo Trump, segundo relatos, classificou como uma “farsa” a previsão de Netanyahu de uma insurreição popular no Irã — não como um erro ou um excesso de otimismo, mas como uma farsa — e, ainda assim, o........

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