Flávio Bolsonaro volta a pedir intervenção dos EUA no Brasil |
A decisão de Donald Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas não acontece em um momento qualquer.
Ela ocorre em pleno processo eleitoral brasileiro, quando dois nomes concentram as atenções da disputa presidencial: Lula, que busca a reeleição, e Flávio Bolsonaro, candidato da extrema direita e herdeiro político do bolsonarismo.
O detalhe decisivo é que a medida não surgiu de uma solicitação formal do Estado brasileiro. Foi defendida publicamente por Flávio Bolsonaro durante sua viagem a Washington. Dias depois, o governo Trump anunciou exatamente aquilo que o pré-candidato disse que havia pedido.
Primeiro, Flávio apareceu ao lado de Trump no Salão Oval da Casa Branca. Depois, reuniu-se com Marco Rubio e J.D. Vance. Em seguida, Washington anunciou a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. Por fim, Eduardo Bolsonaro comemorou a decisão afirmando que as facções poderiam ser combatidas “como os Estados Unidos combateram Bin Laden”.
A pergunta deixa de ser apenas policial.
Se o objetivo era combater organizações criminosas brasileiras, por que a iniciativa partiu de um candidato à Presidência da República em plena campanha eleitoral? E por que a resposta veio diretamente da maior potência militar do planeta?
Trump como tábua de salvação
A viagem de Flávio aos Estados Unidos não ocorreu em momento de força política.
O pré-candidato desembarcou em Washington quando sua campanha atravessava a mais grave turbulência desde o início da corrida presidencial. O desgaste provocado pelas revelações envolvendo Daniel Vorcaro, o Banco Master e a proximidade entre personagens centrais do caso e o universo bolsonarista atingiu diretamente sua candidatura.
Pesquisas recentes passaram a mostrar Lula ampliando vantagem enquanto Flávio enfrenta dificuldades crescentes para manter o desempenho esperado por seus aliados.
Foi nesse contexto que o senador correu para o centro do poder da ultradireita global.
A fotografia no Salão Oval, os encontros com Rubio e Vance e o anúncio posterior da medida permitiram a Flávio substituir, ainda que momentaneamente, o noticiário negativo no Brasil por uma imagem de prestígio internacional. O que é importante para o eleitorado bolsonarista raiz.
Tudo indica que a classificação do PCC e do Comando Vermelho já vinha sendo discutida nos círculos de Trump, Rubio e Vance. Não foi Flávio que concebeu a iniciativa. Washington já está a tempos elaborando a medida para ser adotada no momento mais conveniente. Mas o candidato da extrema direita brasileira tratou de apropriar-se politicamente dela e apresentá-la como prova de influência junto à Casa Branca.
Bernardo........