Lula acerta muito na política assistencialista, mas ele comete erros estruturais, amargados por nós mesmos
Ele já teve, junto com Dilma, a oportunidade de construir um Supremo Tribunal Federal com um gesto progressista e leal à Constituição, que é a democracia, e não aproveitou essa oportunidade. Teve a possibilidade de fazer indicações que poderiam ter criado raízes mais profundas de defesa da democracia dentro dos Tribunais Superiores.
Externamente, Lula é um estadista, mas internamente ele é um assistencialista e populista. Realmente não age como um estadista, criando raízes, plataformas para o Brasil e raízes profundamente democráticas e patrióticas. Junto com os Tribunais Superiores, além do STF e da PGR, a gente poderia ter uma Justiça, porque na Justiça entra o PGR também, totalmente comprometida com uma visão progressista.
O Supremo que poderia ter sido construído
Lula e Dilma Rousseff tiveram condições políticas excepcionais para influenciar a composição do Supremo Tribunal Federal. Somados os mandatos dos dois presidentes, foram 15 indicações ao STF: dez feitas por Lula e cinco por Dilma.
Seria possível escolher juristas com compromisso mais explícito com a Constituição de 1988, com os direitos sociais, com a igualdade, com a memória histórica e com a defesa das instituições democráticas?
A independência judicial não é incompatível com uma visão progressista de Estado. Ao contrário: uma Corte constitucional verdadeiramente comprometida com a democracia deve ser capaz de proteger direitos fundamentais, limitar abusos de poder e impedir retrocessos autoritários.
O que se pode questionar é se Lula e Dilma aproveitaram todas as oportunidades que tiveram para fortalecer esse caráter garantista e progressista do STF. A avaliação crítica é que não.
As escolhas recentes de Cristiano Zanin e Flávio Dino........
