A política do "pega ladrão" e o jogo da distração
Existe uma velha tática conhecida: o ladrão corre da polícia no meio da multidão e começa a gritar “pega ladrão”. A confusão serve justamente para inverter os papéis, criar fumaça e desviar a atenção de quem realmente deveria estar sendo investigado. Na política brasileira, esse método parece cada vez mais familiar.
O que setores ligados ao bolsonarismo fazem hoje é exatamente isso: tentam transformar adversários em ameaça enquanto escondem suas próprias contradições, suas conexões históricas com estruturas criminosas e suas práticas antirrepublicanas. Não se trata apenas de disputa política ou divergência ideológica. Trata-se da tentativa permanente de confundir a opinião pública, embaralhar responsabilidades e atacar instituições democráticas sempre que seus interesses entram em risco.
As relações entre figuras da família Bolsonaro e personagens ligados às milícias já foram amplamente noticiadas e investigadas ao longo dos últimos anos. O debate público não surgiu do nada. Ele aparece a partir de episódios concretos, homenagens, vínculos políticos, circulação de aliados e proximidade com grupos que operam em territórios dominados pela violência e pelo controle armado da população. O problema central não é apenas moral: é político e institucional.
Enquanto isso, parte da extrema-direita tenta se apresentar como defensora da ordem, da pátria e do combate ao crime. Mas o discurso entra em contradição quando setores desse mesmo campo político relativizam ataques às instituições, questionam o resultado das urnas, flertam com aventuras golpistas e........
