A reforma trabalhista em dois eixos: o regime 5×2 e a redução da carga horária semanal

A reforma das condições de trabalho no Brasil não se esgota em uma única medida. A substituição do regime 6×1 pelo modelo 5×2 e a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas constituem avanços necessários e complementares, cada qual com seus fundamentos e seus méritos próprios. Ambas respondem a um diagnóstico comum: o de que o modelo vigente compromete a saúde, a vida familiar e o desenvolvimento humano do trabalhador brasileiro — e que os custos dessa realidade, distribuídos silenciosamente pela sociedade, superam em muito os custos das reformas que se propõem a corrigi-la. Defendo a adoção de ambas as medidas, inclusive nos setores de maior exigência física, como a construção civil e as obras em geral, área em que sou empreendedor e onde a urgência da mudança é, se possível, ainda mais evidente.

O regime de escala 6×1, embora compatível com a carga horária legalmente vigente, impõe ao trabalhador uma estrutura de vida que sistematicamente inviabiliza o descanso efetivo, o convívio familiar e qualquer projeto pessoal ou formativo sustentado. Um único dia de folga semanal não configura repouso e sim tolerância à exaustão. A adoção do modelo 5×2, com dois dias consecutivos de descanso, não altera necessariamente o total de horas contratadas; altera, de forma substantiva, a qualidade da vida do trabalhador fora do trabalho.

Não se trata de uma mera liberalidade do empregador, mas o reconhecimento de que o ser humano necessita de........

© Brasil 247