Identitarismo e Identidade Ideológica

Espera-se todo defensor da pauta identitária com reinvindicações de direitos na área de costumes, relacionados à anti homofobia, ao antirracismo e ao feminismo, ser de esquerda. Daí nasce a questão: por qual razão existe pobre, gay e negro de direita? O conservadorismo tem raízes religiosas?

Na realidade, defender direitos civis e pautas identitárias não implica, por si só, ser de esquerda, embora exista uma forte associação histórica entre essas agendas e tradições de esquerda. A relação é contingente, não necessária. 

Para entender isso, é preciso separar três dimensões distintas: economia política, cultural/moral e formas de pertencimento social.

Em primeiro lugar, a pauta identitária é distinta da posição econômica do indivíduo. As lutas contra racismo, homofobia e desigualdade de gênero dizem respeito a direitos civis, reconhecimento e cidadania, não automaticamente a regimes de propriedade, redistribuição ou organização da economia.

Por isso, é possível defender direitos LGBT e o livre mercado irrestrito. Há gente combatente contra o racismo, mas rejeita políticas redistributivas favoráveis aos mais pobres por achar ter saído da pobreza por conta própria. Outros apoiam a igualdade formal sem questionar desigualdades estruturais da sociedade.

A esquerda, em sua tradição combativa, tende a articular reconhecimento meritório e redistribuição de renda para quem se encontra na pobreza absoluta. Mas nada impede o reconhecimento de valor profissional ser desacoplado da redistribuição e isto abre espaço para posições neoliberais ou mesmo conservadoras em economia com discurso de direitos individuais.

Por qual razão existem pobres de direita? Não se trata de “falsa consciência” no sentido simplista. Há mecanismos........

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