China busca ser dona de seus silêncios

Quem muito fala, logo se esgota. É melhor conservar o centro em silêncio. – Paráfrase de Lao Tsé, Tao Te Ching

Quem muito fala, logo se esgota.

É melhor conservar o centro em silêncio.

– Paráfrase de Lao Tsé, Tao Te Ching

Às 20h30, as luzes da praça principal da comunidade Fenglin Shunhe, em Weihai, são apagadas até o dia seguinte. A penumbra funciona como um sinal combinado para que dezenas de pessoas, a maioria mulheres, deem os últimos passos de suas coordenadas rotinas de dança. Essa tradição, conhecida como guangchangwu, é uma das cenas que os estrangeiros adoram viralizar durante suas viagens à China, mas também representa um dos problemas identificados pelo Relatório sobre Prevenção e Controle da Poluição Sonora 2026, elaborado pelo Ministério de Ecologia e Meio Ambiente da China.

O documento oficial considera que essas pitorescas danças nas praças, juntamente com discussões entre vizinhos, defeitos em eletrodomésticos e algumas situações escandalosas, podem ser classificadas como “ruído social”, uma categoria que representou 73,2% dos 6,83 milhões de reclamações urbanas registradas no último ano.

Em resposta a tamanha quantidade de protestos, o governo decidiu dar um novo impulso ao programa “Comunidades Tranquilas”, uma iniciativa governamental que, em 2025, alcançou 3.272 bairros e mais de 2,4 milhões de residências. O projeto-piloto começou em 2023, mas acaba de dar um salto institucional com a entrada em vigor de um histórico Código Ecológico e Ambiental que, pela primeira vez, dedica um capítulo específico à prevenção e ao controle da poluição sonora.

A partir desse avanço, o Ministério de Ecologia e Meio Ambiente prevê aprofundar o desenvolvimento dessas comunidades tranquilas durante o período de 2026 a 2030, com........

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