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Cúpula Xi-Trump: da Armadilha de Tucídides ao ultimato sobre Taiwan

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15.05.2026

Donald Trump ensaiou um sorriso assim que viu Xi Jinping sobre o tapete vermelho. Durante o cumprimento protocolar, o republicano voltou a recorrer a um de seus gestos preferidos com líderes estrangeiros: mão direita firme enquanto apoia a esquerda sobre o braço do interlocutor, um gesto com o qual busca transmitir proximidade e autoridade. Desta vez, porém, o movimento pareceu menos convincente, quase deslocado. Talvez porque quem o recebia era o presidente da República Popular da China, o país que mais desafiou a centralidade dos Estados Unidos desde o fim da Guerra Fria.

A cena ocorreu diante das colunas do Grande Salão do Povo, sob uma coreografia de guarda de honra, crianças com bandeirinhas e desfile do Exército de Libertação Popular. Pequim quis demonstrar solenidade imperial e Trump aceitou o cenário. Era a primeira visita de um presidente dos EUA em quase nove anos e a segunda realizada pelo republicano desde 2017, um dado que a China aproveitou para reforçar o peso simbólico do encontro.

Mas a verdadeira mensagem da cúpula apareceu horas depois, quando ambos os mandatários deixaram claro que a disputa entre China e Estados Unidos vai além das tarifas, das terras raras ou da tecnologia. O que esteve em discussão foi quem define as regras nesta nova etapa em que Pequim acaba de iniciar seu XV Plano Quinquenal (2026-2030), enquanto Washington se prepara para celebrar os 250 anos de sua independência.

A primeira reunião entre os líderes durou aproximadamente duas horas e quinze minutos. O anfitrião falou primeiro. “Transformações nunca vistas em um século estão se acelerando em todo o mundo e a situação internacional é tão mutável quanto turbulenta”, diagnosticou Xi. Em seguida, lançou uma pergunta que pairou sobre todo o encontro: “China e Estados Unidos podem superar a Armadilha de Tucídides e criar um novo paradigma de relação entre grandes potências?”

A referência não foi casual. A chamada Armadilha de Tucídides é a teoria popularizada pelo cientista político norte-americano Graham Allison, segundo a qual uma potência dominante costuma acabar em conflito com outra emergente. Xi vem recuperando essa ideia há anos, mas desta vez a colocou no centro........

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