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Quando uma nação se perde da justiça

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23.03.2026

Não é uma instituição, não é um poder, não é uma autoridade. Antes de assumir essas formas, além de muitas outras – uma sentença, um trânsito em julgado, um resultado eleitoral, a lista seria extensa –, a justiça é uma ideia compartilhada por pessoas que se reconhecem partes de uma identidade comum, uma história comum, um futuro comum.

Mas dizer isso é dizer pouco, já me apresso em alertar. É necessário que a ideia compartilhada de justiça tenha vínculo direto com aquilo que, num único ser humano, é intuitivo: o sentimento de justiça. Em resumo, é necessário que a ideia compartilhada de justiça, que é uma elaboração cultural coletiva, represente e traduza, com as devidas mediações, o sentimento intuitivo de cada pessoa. Sem isso, nada feito.

(Sei que o parágrafo anterior soou abstrato em demasia. Por isso, peço licença para aprofundar o ponto. Vai ficar mais abstrato ainda, mas talvez fique mais límpido também.)

Os gregos antigos acreditavam que o sentimento de justiça morava na alma: seria uma sabedoria natural, espontânea, capaz de distinguir quase que por reflexo entre o iníquo e o magnânimo, entre o arbitrário e o parcimonioso, entre o bem comum e a vaidade chula. Viriam daí, desse saber intuitivo, tanto a indignação moral (o impulso que se ergue contra um ato de injustiça) quanto uma certa paz de espírito (aquela que se instala........

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