O Papa e a técnica |
A encíclica de Leão XIV sobre inteligência artificial, intitulada Magnifica humanitas (Magnífica humanidade), a primeira de seu pontificado, atraiu as câmeras de TV e as primeiras páginas dos diários do mundo. Editoriais esmerados a elogiaram. Comentaristas anotaram com precisão que o sumo sacerdote não sataniza nem glorifica os algoritmos sagazes.
De fato, esse é um dos pontos fortes do documento, que, em lugar de polemizar, pede um pouco de juízo aos seres humanos, sobretudo aos que se ocupam da programação das novíssimas ferramentas e aos que são donos das empresas detentoras das patentes. Entre os méritos da escrita papal, os editoriais destacaram a serenidade.
O argumento evolui sem angústia, mas também sem deslumbramento, sem aflição, mas também sem se refugiar na autoajuda, sem raiva, mas sem condescendência. A leitura nos traz conhecimento e, de sobra, reaviva o espírito.
Mas os registros jornalísticos não realçaram o que há de mais magnífico no texto: o diagnóstico atordoante que ele nos traz. Com inteligência bem-informada e crítica, ao lado de uma sabedoria incomum, Leão XIV nos apresenta um cenário, eu diria, terrível.
Prudente (prudente no sentido grego da palavra), detecta o risco de que as transformações da era digital produzam mais desigualdade: “O poder técnico,........