Datafolha empurra Ratinho para impasse com o bolsonarismo |
O governador Ratinho Junior (PSD) saiu do Datafolha deste sábado (7) mais cobrado no Paraná do que protegido pelo próprio capital político. A pesquisa reposicionou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no plano nacional, valorizou os palanques estaduais da direita e tensionou a relação entre o Palácio Iguaçu e o bolsonarismo no estado. Segundo apuração do Blog do Esmael, esse novo quadro já acelerou a circulação de cenários alternativos na direita paranaense, com Alexandre Curi (PSD), Rafael Greca (PSD), Filipe Barros (PL) e o próprio Flávio. Até aqui, porém, ninguém atravessou o “Rubicão”: Curi e Greca avisaram que aguardam a decisão de Ratinho antes de avançar.
O pano de fundo é o novo Datafolha. A pesquisa mostrou o presidente Lula (PT) e Flávio em empate técnico num eventual segundo turno, 46% a 43%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento também recolocou a direita em posição mais competitiva no debate nacional e aumentou o peso político das alianças regionais.
No Paraná, esse resultado não ficou restrito ao plano presidencial.
Com Flávio mais valorizado na corrida nacional, o PL passou a ter mais incentivo para cobrar protagonismo no estado. Segundo apuração do Blog do Esmael, se Ratinho decidir disputar o Planalto, dirigentes do partido já admitem marchar com o senador Sergio Moro (União) rumo ao governo do Paraná, em troca de palanque para Flávio Bolsonaro no estado.
A pressão não se limita a esse movimento.
O Blog do Esmael apurou que o Republicanos foi procurado para ajudar a montar uma chapa alternativa com Alexandre Curi para governador, Rafael Greca para vice, Filipe Barros para o Senado e Flávio Bolsonaro para a Presidência da República. O dado politicamente mais relevante, porém, é outro: Curi e Greca não aceitaram acelerar essa costura de imediato. Ambos responderam que ainda aguardam a decisão de Ratinho Junior antes de qualquer avanço mais assertivo.
Esse detalhe mostra que o governador continua sendo a peça central do arranjo, mas também revela que uma engrenagem paralela já começou a se mover em baixa rotação.
Nos bastidores, a próxima semana tende a ser decisiva. O Blog do Esmael apurou que Ratinho Junior terá conversa com a cúpula do PL, incluindo Valdemar Costa Neto e o próprio Flávio Bolsonaro, para discutir os cenários nacional e paranaense. O encontro deve medir até onde vai a disposição de convivência entre o projeto presidencial de Ratinho e a estratégia bolsonarista no Paraná.
O impasse não para no palanque presidencial.
Alexandre Curi e Rafael Greca já informaram ao Palácio Iguaçu que não apoiarão Guto Silva (PSD), nome tratado como pupilo político de Ratinho, na sucessão estadual, segundo apuração do Blog do Esmael. A resistência ao preferido do governador enfraquece a ideia de uma transição automática e amplia a disputa dentro do próprio campo governista.
Também não parece simples a hipótese de Ratinho disputar o Senado.
Esse movimento não pacifica a direita. Ao contrário, pode diminuir o espaço de Filipe Barros, porque a leitura dominante no campo conservador é a de que uma das duas vagas tende a ser ocupada por um nome forte da direita, enquanto a outra ficaria em disputa mais aberta, com a esquerda buscando entrar no jogo. Nesse quadro, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), aparece como nome competitivo no estado. A hipótese de Ratinho ao Senado, portanto, desorganiza aliados em vez de acomodá-los. A movimentação de Ratinho, Moro e outros pré-candidatos já vinha sendo observada no Paraná nas últimas semanas.
Em outras palavras, o Datafolha transformou uma ambiguidade administrável em dilema político real.
Se Ratinho correr para Brasília, pode perder o controle da sucessão no Paraná e empurrar o PL para uma aliança com Moro. Se recuar para o jogo local, descobre que a própria base já começou a testar alternativas sem Guto Silva e com maior protagonismo do bolsonarismo. E, se tentar acomodar tudo com uma candidatura ao Senado, corre o risco de congestionar o campo da direita e abrir espaço para adversários.
A pesquisa, portanto, não mexeu só na corrida presidencial. Ela reordenou a correlação de forças no Paraná, expôs os limites da liderança de Ratinho dentro do seu próprio campo e antecipou uma disputa por palanques que pode ser mais dura do que a campanha formal.
A direita paranaense entrou em compasso de espera, mas já não está em paz. O governador segue no centro do jogo, porém agora cercado por uma verdade incômoda: qualquer decisão sua cobra preço alto. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.