A tirania da felicidade produtiva

Durante séculos, as formas mais evidentes de opressão foram exercidas pela força. Reis, ditadores, exércitos e governos impunham sua autoridade por meio do medo, da censura e da violência. Hoje, porém, surgiu uma forma de controle muito mais sofisticada. Ela não exige cárceres, não utiliza soldados e raramente levanta suspeitas. Pelo contrário: apresenta-se com um sorriso no rosto, uma música motivacional ao fundo e um discurso otimista sobre propósito, engajamento e realização pessoal. Trata-se da tirania da felicidade produtiva.

Vivemos numa época em que não basta trabalhar. É preciso demonstrar entusiasmo. Não basta cumprir as obrigações. É necessário parecer apaixonado por elas. O indivíduo acorda cedo, enfrenta congestionamentos, transporte precário, salários insuficientes, insegurança econômica e jornadas exaustivas. Ainda assim, espera-se que mantenha uma atitude permanentemente positiva, como se a alegria fosse uma obrigação contratual.

A grande inovação do mundo corporativo contemporâneo foi transformar emoções em ferramentas de gestão. O funcionário não é mais avaliado apenas por sua competência técnica ou por seus resultados. Sua postura emocional tornou-se parte do produto. Espera-se que ele seja resiliente, otimista, engajado, proativo e, acima de tudo, feliz. A tristeza é vista como fraqueza. A indignação torna-se inconveniente. A crítica........

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