menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Entre a percepção e a realidade: como o camaleonismo político captura a insatisfação social

22 0
18.04.2026

O camaleão é um réptil que por sua estrutura biológica altera sua aparência para se adaptar ao ambiente e garantir sua sobrevivência. De modo análogo, certos políticos mudam várias vezes de partido e relativizam o discurso conforme as circunstâncias, adaptando suas posições não por convicção, mas por conveniência. Ciro Gomes insere-se nessa categoria de comportamento político essencialmente oportunista. 

Contudo, há uma diferença fundamental. O camaleão altera sua aparência como um mecanismo natural de sobrevivência, uma resposta instintiva e necessária para preservar a própria vida diante de ameaças do ambiente. Já no caso de certos políticos, a exemplo de Ciro Gomes, essa mudança de posicionamento não decorre de uma necessidade vital, mas de um cálculo estratégico orientado por um desmedido projeto de poder. Enquanto o réptil se adapta para continuar existindo, o político adapta seu discurso e suas alianças por conveniência, muitas vezes a qualquer preço, visando manter ou ampliar sua influência no cenário político.

Nesta semana, o PSDB voltou ao noticiário. O deputado Aécio Neves convidou o contraditório Ciro Gomes a considerar uma candidatura à Presidência. Aécio justificou o convite como um apelo para que Ciro lidere um caminho "liberal na economia e inclusivo no social". Trata-se de uma formulação populista que esconde ambiguidades profundas, tentando conciliar um projeto de mercado que historicamente amplia desigualdades com promessas de justiça social.

Essas razões são apenas uma construção discursiva para suavizar contradições estruturais. Ao mesmo tempo em que privilegia o capital, o discurso reivindica um compromisso social que suas próprias diretrizes econômicas tendem a inviabilizar. Em síntese, é uma falácia neoliberal que se sustenta mais na aparência do equilíbrio do que na viabilidade concreta da justiça.

Nesse ambiente marcado por oportunismos, surge um personagem cuja trajetória recente é definida por uma crescente descredibilidade. Desde 2018, Ciro constrói um percurso permeado por inconsistências ideológicas. Sua longa peregrinação passando por PDS (herança da ditadura), PMDB, PSDB, PPS, PSB, PDT e retornando agora ao ninho tucano evidencia uma adaptação meramente ajustada às conveniências do momento, e não um amadurecimento político.

Em eleições presidenciais anteriores, apesar de manter uma pequena fatia resiliente do eleitorado, Ciro se sustentou por meio de um discurso desenvolvimentista que, à primeira vista, aparentava consistência. No entanto, seus resultados eleitorais revelaram limites claros, pois jamais ultrapassou 12,47% dos votos válidos e, em 2022, obteve apenas 3,4%. Esse desempenho decrescente........

© Brasil 247