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2026: quando a escolha deixa de ser difícil

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04.04.2026

O cenário político brasileiro volta a se organizar sob tensões conhecidas, mas não menos decisivas, ao reeditar um ponto crítico de sua trajetória e recolocar em confronto projetos antagônicos de nação, em meio a interesses econômicos, disputas narrativas e estratégias díspares de poder.

Os números mais recentes das pesquisas de intenção de voto, divulgados por institutos, como o da Quaest, não apenas confirmam a polarização eleitoral, eles evidenciam a repetição de uma encruzilhada histórica para o Brasil, semelhante à de 2018, quando se confrontaram o ex ministro Fernando Haddad e Jair Bolsonaro, então deputado federal.

Naquela disputa, de um lado, o então ex-ministro Fernando Haddad, cuja trajetória administrativa refletia experiência e formulação de políticas públicas estruturantes. À frente da Prefeitura de São Paulo (2013–2016), sua gestão foi reconhecida por iniciativas voltadas à mobilidade urbana, à segurança viária e à inclusão social. Durante seu mandato, foram implantadas extensas redes de ciclovias e faixas exclusivas de ônibus, o que contribuiu para melhorar o transporte público e incentivar meios de locomoção mais sustentáveis. Além disso, políticas de redução de velocidade ajudaram a diminuir significativamente o número de mortes no trânsito. Na área da educação, houve ampliação do acesso a creches e criação de iniciativas como a universidade municipal. Seu governo também ficou marcado pela aprovação de um novo Plano Diretor Estratégico, voltado ao desenvolvimento urbano mais equilibrado, e recebeu reconhecimento internacional por suas políticas inovadoras. Como ministro da Educação (2005 – 2012), Haddad liderou a expansão de universidades federais, institutos federais e programas de inclusão como o ProUni e o Fies, ampliando significativamente o acesso ao ensino superior no país.

Por outro lado, Jair Bolsonaro, parlamentar de longa trajetória no Congresso, teve sua carreira marcada por baixa produtividade legislativa, com a aprovação de apenas dois projetos. Sua atuação política frequentemente se associou a pautas corporativistas e a declarações polêmicas, sem a correspondente elaboração de políticas públicas consistentes. 

Nessa conjuntura, a eleição de 2018 não pode ser compreendida sem a consideração de um ambiente de intensa rejeição ao PT, amplificado pela ampla repercussão da controversa Operação Lava Jato, marcada por diversos questionamentos jurídicos e institucionais. Nessa dinâmica, a atuação do então juiz Sergio Moro, posteriormente declarado suspeito, em articulação com o ex-procurador Deltan Dallagnol, contribuiu para a condenação e........

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