Estupro de menina é tema do próximo filme de Helvécio Ratton |
A saga da menina de 12 anos de Indianópolis, (MG), que vem sendo notícia, nos últimos dias por ter sido vítima de estupro por um homem de 35 anos, com quem a corte entendeu ela vivia “maritalmente”, nos remete à personagem de: “A incrível e triste história de Cândida Erêndira e sua avó desalmada”, do escritor Gabriel Garcia Marques. No conto, ele não antecipa uma realidade que o Brasil produz. Apenas colhe para a sua literatura, um fato que a humanidade escreve e reescreve há séculos, na pele das mulheres que tiveram como berço a pobreza extrema. O corpo como porta de entrada para a violência dos homens, em troca da sobrevivência própria ou da família.
Em Gabo, em algum lugar do continente hispânico Cândida Erêndira acorda com os restos de um incêndio devastador. Sua avó, com quem morava, a considera culpada pelo acontecido e decide que ela pagará pelo prejuízo se prostituindo. Erêndira passa anos sendo entregue aos homens que a avó determinasse. Até que seu destino muda, pelo amor.
O final de Cândida Erêndira, que finalmente se liberta, no entanto, não é reservado para todas. No desvão das desigualdades brasileiras, meninas com vidas invisíveis vão sendo consumidas pelas garras de adultos sem escrúpulos - sem que a sociedade perceba ou tome providências. E........