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Há momentos tão grandiosos que só o fato central chama a atenção. Foi assim, no 8 de janeiro, quando os adeptos do ex-presidente que buscava a reeleição saiu derrotado e tentou ganhar na força bruta um poder que ele não soube gerenciar, tocaram o terror. As imagens exibidas depois da tomada de assalto aos prédios públicos mostravam estrago e desolação. Uma delas, no entanto, não foi inspecionada com o afinco que o fato exigia. Falo do arrombamento da sala do GSI, recém-deixada pelo general Augusto Heleno e seus agentes amestrados.

Com ar desolado e de perplexidade, o ministro da Comunicação, Paulo Pimenta, entrou no ambiente revirado, com vários estojos de boca aberta sobre as mesas, deixando ver que o conteúdo precioso - do contrário o recinto não era trancado e de acesso restrito -, havia sido levado dali, deixando o mobiliário intacto. A conclusão é a de que apenas o que estava nos estojos importava. E, pela descrição do ministro, os invasores se interessaram por armas e computadores.

Sim. Computadores. Levando-se em conta que no recinto funcionava o estoque da aparelhagem do GSI/Abin, o cuidado na apuração do que foi levado e para onde ia além do prejuízo causado, deveria ter preocupado e muito os encarregados da inspeção. Basta lembrar que o golpe de 8 de janeiro contou com a participação e a coordenação confessa de oficiais muito bem treinados em tática de contraguerrilha, das Forças Especiais do Exército. Foi o general Ridauto Lúcio Fernandes, um dos kids pretos que estiveram no “evento”, quem descreveu como treinou e orientou os que se dispuseram a participar do ato. Ele mesmo um dos que exibiu vídeo na rampa do Congresso.

De acordo com o que foi apurado do episódio - basta assistir aos vídeos e imagens dos atos de terror -, os kids pretos se dividiram em três grupos (lembrem-se de que os prédios públicos a serem tomados eram três). Quem entrou naquela sala do GSI sabia bem onde os objetos do desejo estavam guardados e como levá-los rapidamente. Daí não ser nenhuma surpresa que 10 celulares, três computadores, uma arma e um HD externo tenham sido encontrados na casa de Giancarlo Gomes Rodrigues. Ele foi alvo de buscas nesta segunda-feira (29/01), na operação que apura suspeita de monitoramento ilegal de cidadãos pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Segundo a PF, Giancarlo era assessor do ex-diretor da agência e atual deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). Os aparelhos de posse de Giancarlo se somam ao celular e três computadores apreendidos pela Polícia Federal com Carlos Bolsonaro.

Informações divulgadas pela TV Globo deram conta de que um dos computadores apreendidos com Giancarlo pertence à Abin. (o militar seria a pessoa ideal para tê-lo em home-office, pois sua esposa é servidora da agência. O álibi é perfeito. Ao buscar por ele na internet, fica-se sabendo que Giancarlo é militar do Exército, vinculado a batalhões no Rio e com passagem também pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no governo Michel Temer. Nunca é demais lembrar, o golpista que reativou o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), chamando para dirigi-lo o general Sergio Etchegoyen, autor da compra, em Israel, da geringonça de espionagem, “First-Mile” e o primeiro militar a ocupar o posto desde a redemocratização.

Em tempos de IA e trabalhos remotos, deixar a estrutura física da Abin funcionando no modo “tolinhos”, em Brasília, enquanto de suas casas os agentes paralelos da arapongagem “real” trabalhavam a plenos pulmões, não é de todo tecer teorias da conspiração.

Vejamos que na reunião do dia 22 de abril de 2020, quando Jair anunciou que tinha o seu serviço particular de espionagem, não estava blefando e muito menos contando vantagem. Estava falando do fiel coronel Marcelo Costa Câmara, seu assessor especial, da cota do gabinete pessoal. (Mais detalhes em: Veja de 20 de maio de 2020). De acordo com a publicação, havia uma disputa de poder entre o então ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto Santos Cruz, e Carlos Bolsonaro, o filho do presidente, que suspeitava que o militar conspirava. (Paranoia parece ser uma característica familiar).

De acordo com Veja, “o trabalho do coronel do Exército Marcelo Costa Câmara era bem diferente disso. Ocupando uma sala no 3º andar do Palácio do Planalto, a poucos metros do gabinete do presidente, ele era um assessor mais do que especial”. Por determinação de Jair, conduzia investigações, reunia informações e produzia dossiês que já provocaram a demissão de ministros e diretores de estatais.

Não é difícil supor, e tampouco pode ser considerado mera especulação, o fato de serem encontrados aparelhos de propriedade e uso da Abin na casa de Alexandre Ramagem, o ex-diretor da instituição; de posse de Giancarlo, ex-integrante do GSI e, de acordo com as notícias divulgadas pela GloboNews, também com Carlos Bolsonaro, o filho do ex-presidente.

Visto que os aparelhos levados pelos “forças especiais” de dentro da sala do GSI, no Palácio do Planalto, supostamente não foram resgatados e tampouco se sabe o que continham, podemos imaginar que estavam repletos do conteúdo das investigações da Abin e que, com as devidas senhas socializadas, qualquer um, de casa, poderia conectá-los e continuar “trabalhando e monitorando” tudo normalmente. Além de seguir de modo privilegiado as ações do atual governo.

Do contrário, como explicar que Jair e os filhos organizassem uma “live” preventiva, na véspera da operação da PF, na casa de Carlos, o filho 02? Como explicar que tenham saído para um providencial passeio de lancha pela baía de Angra, justo quando a PF faria uma batida na casa? E, só para “colorir” todas essas desconfianças, por que Jair vestia jocosamente uma camisa estampada nas costas com um tubarão e três peixes? Um deboche, com a nossa cara, certamente (pode-se supor). Assim, vestido de modo "temático", talvez naquele momento, lançava no fundo do mar as provas comprometedoras da Abin home-office...

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Computadores ao mar!!!

17 0
29.01.2024

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Há momentos tão grandiosos que só o fato central chama a atenção. Foi assim, no 8 de janeiro, quando os adeptos do ex-presidente que buscava a reeleição saiu derrotado e tentou ganhar na força bruta um poder que ele não soube gerenciar, tocaram o terror. As imagens exibidas depois da tomada de assalto aos prédios públicos mostravam estrago e desolação. Uma delas, no entanto, não foi inspecionada com o afinco que o fato exigia. Falo do arrombamento da sala do GSI, recém-deixada pelo general Augusto Heleno e seus agentes amestrados.

Com ar desolado e de perplexidade, o ministro da Comunicação, Paulo Pimenta, entrou no ambiente revirado, com vários estojos de boca aberta sobre as mesas, deixando ver que o conteúdo precioso - do contrário o recinto não era trancado e de acesso restrito -, havia sido levado dali, deixando o mobiliário intacto. A conclusão é a de que apenas o que estava nos estojos importava. E, pela descrição do ministro, os invasores se interessaram por armas e computadores.

Sim. Computadores. Levando-se em conta que no recinto funcionava o estoque da aparelhagem do GSI/Abin, o cuidado na apuração do que foi levado e para onde ia além do prejuízo causado, deveria ter preocupado e muito os encarregados da inspeção. Basta lembrar que o golpe de 8 de janeiro contou com a participação e a coordenação confessa de oficiais muito bem treinados em tática de contraguerrilha, das Forças Especiais do Exército. Foi o general Ridauto Lúcio Fernandes, um dos kids pretos que........

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