menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A colônia petrolífera de Donald Trump

5 9
12.01.2026

Do a terra é redonda

Com o sequestro de Nicolás Maduro, Donald Trump incorporou duas novidades à brutalidade imperial. Explicitou seu objetivo de roubar o petróleo e sua pretensão de instaurar um domínio colonial.

Seu argumento disparatado para furtar o petróleo é o pertencimento desse recurso aos Estados Unidos por conta de algum investimento feito no passado. Com esse critério, Texas, Califórnia e Arizona deveriam ser imediatamente devolvidos ao México, mas o magnata é um valentão que não raciocina. Ele proclama uma apropriação que começou com sanções, bloqueios e a confiscação da filial externa Citgo.

Agora, ele promove a expropriação total, para impedir a crescente exportação de petróleo bruto para a China. Exige a dissolução da empresa estatal PDVSA e sua imediata distribuição entre as grandes empresas estadunidenses. Impulsiona essa captura com urgência, porque na Venezuela estão localizadas as maiores reservas do mundo. O expropriador também projeta uma base militar para custodiar sua desejada colônia petrolífera.

Falácias, pretextos e fanfarronices - O ocupante da Casa Branca anunciou que governará diretamente em Caracas, com um modelo semelhante ao projetado para Gaza. Pretende assumir a direção pessoal de ambos os protetorados com o simples fundamento da coerção. Antecipou essa dominação com atos de pirataria, presença de uma grande armada e operações confessas da CIA.

Já se começa a saber que o sequestro de Nicolás Maduro não foi a operação cirúrgica relatada pelos difusores hollywoodianos. Entre os defensores do presidente, houve pelo menos 80 mortos, entre eles 32 militares cubanos. Mais cedo ou mais tarde, saberemos quantas baixas teve o lado dos assaltantes.

O pretexto do narcotráfico mal reaparece, desde que Donald Trump perdoou por esse crime um ex-presidente de Honduras condenado. Ele costuma coordenar, além disso, todo tipo de ação com seus aliados narcotraficantes da Colômbia e do Equador, sabendo que a Venezuela não figura como produtora, via de trânsito ou participante do fornecimento de drogas. Ninguém apresentou indícios de ligações do governo chavista com o extinto Tren de Aragua e tiveram que descartar a acusação de vínculos com o mítico cartel de Los Soles.

Essa falta de provas transforma o julgamento de Nicolás Maduro em Nova Iorque num disparate processual. A demonização midiática foi complementada com a apresentação do presidente venezuelano como um criminoso comum. Mas o início dessa infâmia já colidiu com um líder sóbrio que se declarou “prisioneiro de guerra”.

Em outra sequência de suas bravatas desconexas, Donald Trump acusou Nicolás Maduro de esvaziar as prisões de seu país para enviar assaltantes aos Estados Unidos. Ele usa esse disparate para justificar a caçada interna aos imigrantes, afetando em grande medida a própria comunidade de venezuelanos indocumentados.

Num trágico paradoxo do cenário atual, aqueles que mais comemoram a agressão ianque são vítimas diretas do império. Em várias cidades da América Latina, também comemoraram o sequestro de Nicolás Maduro, sem perceber que o fim do chavismo aumentaria a pressão para retirar-lhes a condição de residentes.

A imprensa hegemônica antepõe o adjetivo “ditador” a qualquer menção a Maduro, esquecendo que seu captor é um golpista impune, que comandou o frustrado assalto à Casa Branca. Donald Trump acaba de consumar, além disso, a fraude presidencial de seu servo em Honduras e instaurou a chantagem eleitoral, para forçar a vitória nas urnas de seu lacaio Javier Milei. O duplo padrão com Nicolás Maduro é particularmente escandaloso, quando o corrupto genocida Netanyahu é apresentado como um “democrata” e o criminoso monarca saudita Bin Salman, como um “príncipe herdeiro”.

Hipocrisias, ameaças e declínio - As hipocrisias para demonizar Nicolás Maduro e enaltecer os verdadeiros tiranos perdem centralidade neste período de preeminência grosseira do mais forte. Numa era de garrote e Corolário Trump da Doutrina Monroe, qualquer argumento passa para segundo plano. O magnata substituiu os artifícios institucionais do Lawfare pelo uso diligente do........

© Brasil 247