A marcha e a Marsha |
Ao longo da canção “A cara do Brasil”, Celso Viáfora traça um paradoxo de tudo aquilo que muito bem representa nosso país, ou seja, o Brasil gordo, o Brasil com fome, o pobre, o rico, as ilhas, as favelas, os trens do subúrbio, os trens da alegria de Brasília... Muitos anos se passarão, mas a canção de Viáfora, por tudo o que ela nos diz e da maneira como diz, será sempre atual. E assim será, pois a contradição da qual seus versos tratam nos habita de uma forma que se entranha em nosso ser.
Penso na contradição que é nosso país, quando converso com meus botões e eles me perguntam que tipo de trabalhador é liberado pelo patrão para empreender uma marcha que deve durar pelo menos seis dias? Rapidamente, lembro das moças que trabalham como caixa em um supermercado próximo à minha casa, as quais só podem ir ao banheiro se o gerente autorizar, trabalhando de domingo a domingo, pois o único dia que a tal senzala, digo, supermercado não funciona........