Trump ressuscita o 'petrodólar' ao colonizar a Venezuela

O objetivo central do presidente Donald Trump de prender o presidente Nicolás Maduro e dizer que governará a Venezuela para dominar seu petróleo é garantir a ressurreição do 'petrodólar' para dar lastro ao dólar americano, ameaçado pela desdolarização.

Durante 50 anos, de 1974 a 2024, Estados Unidos e Arábia Saudita firmaram o Acordo de Jeddah, por meio do qual o dólar poderia pagar as compras de petróleo árabe com moeda americana; era a fórmula que Washington colocava em prática depois que o governo Nixon, em 1971, suspendeu a conversibilidade do dólar em ouro, inaugurando a era da moeda fiduciária; porém, a expansão da moeda sem lastro real se transformou em risco que o futuro consagraria em bolhas financeiras especulativas; com o petrodólar substituindo o ouro, a partir do Acordo de Jeddah, o imperialismo americano ganhava fôlego.

Os árabes, com receita do petrodólar, puderam comprar títulos da dívida pública americana, livres, temporariamente, do perigo da falta de lastro que ocorreu depois do fim do lastro-ouro, substituído pela moeda fiduciária, moeda-papel, candidata à desvalorização; graças a essa transação, os Estados Unidos puderam construir a hegemonia monetária internacional; todos os países produtores de petróleo seguiram o exemplo, vendendo o produto em petrodólar, que, por sua vez, compra dívida pública dos Estados Unidos, assegurando a hegemonia imperialista.

O acordo EUA-Arábia Saudita, que ergueu o petrodólar, encerrou-se, no entanto, em 9 de junho de 2024; desde então, o dólar, já abalado pelo colapso financeiro de 2008 (crise bancária, quebra do Lehman Brothers etc.), está sem lastro real, sujeitando-se à desdolarização em........

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