O paradoxo do Lula 3: bons números, baixa adesão e disputa política acirrada

O governo Lula 3 chega a 2026 com avanços importantes na economia, nos indicadores sociais e na projeção internacional do Brasil. Em três anos, o país recuperou a credibilidade, gerou empregos, reduziu a fome, voltou a crescer com estabilidade e ampliou direitos. O Estado brasileiro voltou a funcionar como instrumento de promoção da justiça social e da reconstrução nacional. Esse ciclo de retomada, que contrariou as previsões pessimistas do mercado, embora subestimado por boa parte da imprensa e combatido por setores conservadores, recoloca o Brasil em posição de protagonismo no cenário global e oferece bases reais para um novo projeto de desenvolvimento.

Entre 2023 e 2025, o PIB cresceu de forma sustentada: 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e projeção de 2,2% para 2025, conforme dados do IBGE e do Ministério da Fazenda. A taxa de desemprego caiu para 5,4%, o menor patamar desde o início da série histórica. A inflação foi controlada, principalmente a de alimentos, encerrando 2025 em 4,4%, dentro da meta do Conselho Monetário Nacional. A renda média do trabalhador cresceu quase 10% em termos reais. A população vivendo abaixo da linha da pobreza caiu de 27,3% em 2023 para 23,1% em 2024, o menor patamar da série histórica do IBGE. O Brasil saiu novamente do Mapa da Fome da ONU.

Esses avanços se apoiam em políticas públicas robustas, como a reestruturação do Bolsa Família, o relançamento do Minha Casa Minha Vida, a retomada do PAC, o programa Mais Médicos, a valorização do salário mínimo com ganhos reais e os investimentos em transição ecológica e reindustrialização. No plano internacional, o país recuperou protagonismo com a COP30, a liderança do G20 em 2024 e a reaproximação com os BRICS e a União Europeia.

Apesar dos resultados expressivos alcançados desde 2023, o governo Lula ainda enfrenta obstáculos relevantes na sua relação com a opinião pública. Pesquisas recentes indicam que a aprovação oscila em torno de 38%, enquanto a reprovação varia entre 30% e 33%, com cerca de um terço dos entrevistados avaliando a gestão como regular — um indicativo de ceticismo ou distanciamento crítico. Esse quadro revela uma desconexão persistente entre avanços objetivos nas políticas públicas e sua tradução em apoio político efetivo.

Curiosamente, esse cenário convive com dados eleitorais mais favoráveis. Pesquisas recentes de intenção de voto para a Presidência em 2026 indicam que Lula lidera com vantagem significativa. Levantamentos de diferentes institutos apontam que o atual presidente tem entre 37% e 48% das intenções de voto no primeiro turno, dependendo do cenário testado, e aparece à frente ou em situação de empate técnico com candidatos da direita — como Flávio Bolsonaro ou Tarcísio de Freitas — em simulações de segundo turno. Essa contradição aparente entre avaliação de governo e intenção de voto mostra que, mesmo com críticas ao desempenho atual, parcela expressiva do eleitorado reconhece em Lula a principal liderança política do país e a opção mais viável diante das alternativas colocadas.

Tal descompasso entre avaliação de governo e intenção de voto decorre não apenas da guerra de narrativas, da disseminação sistemática de desinformação e das limitações da comunicação governamental, mas também de condicionantes estruturais mais amplos: resistências empresariais, restrições herdadas do modelo macroeconômico, cerco político no Congresso Nacional e a ofensiva permanente de forças autoritárias e conservadoras. Nesse contexto, os efeitos positivos das políticas públicas não se convertem automaticamente em capital político. A disputa de 2026, portanto, se apresenta como decisiva não só para a continuidade do projeto iniciado em 2023, mas para a própria preservação da democracia brasileira.

Apesar dos avanços sociais, o governo Lula opera dentro dos limites impostos pelo chamado tripé........

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